Entrevista com o professor João Aveledo sobre o documentário 'Entre línguas'

João Aveledo: «No Xalma, pudo mesmo ser armada umha teoria para tentar explicar umha alegada 'origem galega'»

Sexta, 12 Março 2010 00:00

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João Aveledo

PGL – O portal de contra-informaçom Diário Liberdade entrevistou João Aveledo, co-autor do documentário Entre línguas e integrante, junto a Eduardo Maragoto e Vanessa Vila Verde, do colectivo GLU-GLU (Galego Língua Útil – Galego Língua Universal).

Aveledo, colaborador habitual no Portal Galego da Língua, explica que para a realizaçom do documentário partírom da tese de que os dialectos de origem galego-portuguesa ou, entom, portugueses, raianos por contacto com o espanhol, iam dar uns resultados, tanto do ponto de vista lingüístico, quanto sociolingüístico, que iriam ser muito semelhantes àquilo que nós estamos afeitos a ouvir na Galiza, tese que foi, segundo argumentam os autores, ratificada e portanto, confrontada com a versom oficial galega.

«Para nós foi umha enorme surpresa comprovarmos como falavam pessoas de Calabor, ou Ferreira de Alcántara... escuitar, por exemplo, gheadas, em praticamente todos estes territórios. Fenómenos lingüísticos que tínhamos por exclusivamente galegos ocorrem em províncias tam distantes como Cáceres, Salamanca, Badajoz...», argumenta.

«Na Galiza só está a ser estudado um desses territórios: o de Xalma. É a variante falada nessa regiom que a versom oficial di ser “galego” ou “galego da Extremadura” [espanhola]. Quanto às restantes, preferem obviá-las, pois entrariam em demasiadas contradiçons, quando os próprios falantes de, por exemplo, Almedilha, afirmam que falam português. No Xalma, sendo um português de feiçom mais arcaica, que o aproxima do galego, e por nom haver nos falantes umha consciência lingüistica clara de que é o que falam, entom aí sim, pudo mesmo ser armada umha teoria para tentar explicar umha alegada ‘origem galega’», explica o professor Aveledo.

Na mesma linha, o co-autor do documentário afirma que nas zonas que fôrom objecto de estúdio falam basicamente português, com um maior ou menor grau de hibridaçom, em funçom da história particular de cada um desses lugares.

«Como aqui, lá existe o auto-ódio, ainda mais marcado, por carecerem de qualquer referência de tipo identitário-nacional. Na escola, simplesmente dixérom-lhes que falavam um “chapurreado” e eles próprios o denominam assim em ocasions. Nom tenhem consciência lingüística: dim que falam um “dialecto”. Como aqui, nessas regions está a produzir-se um corte na transmissom da língua de pais a filhos», lamenta Aveledo.

Finalmente, na entrevista Aveledo fala de que o colectivo Glu-Glu está a preparar novos projectos relacionados com a língua, destacando que se encontram num processo de apresentaçom do documentário que os levará por todo o País, Portugal etc.

 

Continuam as apresentaçons do documentário

A quinta apresentaçom do documentário terá lugar na EOI de Lugo. Hoje, sexta-feira dia 12 de Março, às 20h00. João Aveledo será o encarregado da apresentaçom.

 

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