Pérez-Lema: «A Galiza precisa de um pacto social e político para resolvermos as relaçons com a Lusofonia»

Conversámos com quem foi secretário-geral das Relaçons Institucionais do bipartido

Terça, 06 Abril 2010 10:14

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Para Pérez-Lema, a Lusofonia «soma» para a Galiza

PGL - O advogado Xoán Antón Pérez-Lema (Corunha, 1964) chefiou durante o governo bipartido a Secretaria Geral de Relaçons Institucionais. Defensor da unidade lingüística galego-portuguesa, acha que a Galiza nom está a aproveitar todo o seu potencial e lamenta a política desenvolvida por Feijóo neste campo.

Afastado da primeira linha política, colabora habitualmente com diferentes meios de comunicaçom social como analista de actualidade. Do Portal Galego da Língua quigemos conversar com ele acerca do trabalho feito polo governo anterior e analisar as linhas mestras que estám a dirigir o actual. E a língua, constante conexom entre os temas que debulhámos.

PGL: Para começar, galego e português som ou nom som o mesmo idioma?

Xoán Antón Pérez-Lema: Ainda que nom seja filólogo, acho que sim, entendido como mesmo corpo lingüístico, com as suas variantes, nom maiores que as que podam manter flamengo e neerlandês.

PGL: Afirmou que a Lusofonia é um «corpo linguístico comum» que permite os galegos comunicarmos com perto de 230 milhons de pessoas no mundo, o que tornaria a Galiza no país mais pequeno do mundo capaz de mais possibilidades de comunicaçom no âmbito internacional. No entanto, nom parece que este potencial esteja a ser aproveitado...

XA: A Lusofonia é umha viçosa realidade na qual os dirigentes do nosso País durante muitos anos nom reparárom. Há problemas, às vezes, no que atinge a entendermos o lugar que ocupa a Galiza no mundo. Do que se trata é de somar: velaí o Brasil e as grandes oportunidades que oferece para as empresas e profissionais galegos. Velaí a realidade emergente de Angola, Moçambique... Os dirigentes políticos e sociais galegos que nom sejam quem a ver isso nom estám no presente.

PGL: Sendo Portugal um dos principais mercados para a Galiza, como é que ainda nom se introduziu umha matéria de Língua Portuguesa no currículo educativo?

XA: Por complexo, por ignoráncia e por termos escolhido maus embaixadores da galeguidade em Portugal. A mim chama-me muito a atençom o espertar da ideia de "Gallaecia", da ideia de "Portocale", mas sabemos todos que Lisboa continua a dirigir Portugal segundo umha ideia "lusitana". Para a Galiza e para o Norte português, o fracasso da regionalizaçom tem sido dos piores fracassos dos últimos vinte anos.

PGL: À parte, o português no ensino poderia servir de reforço das horas de galego, como tenhem sugerido alguns profissionais da docência?

XA: Sem dúvida. E para mostrar o doado que é a partir do padrom galego achegarmo-nos aos padrons português e brasileiro, que nos abrem essas possibilidades...

PGL: Actualmente a Estremadura espanhola vai muito por diante da Galiza na introduçom do português como matéria no ensino. O próprio presidente estremenho, Fernández Vara, falou em que se trata de algo «estratégico». Como podemos recuperar esse terreno perdido?

XA: Reconhecendo-o, introduzindo o achegamento cultural, económico e lingüístico à Lusofonia como um dos eixos transversais de governançom e, porém, pactuando umha estabilidade normativa temporária ao redor da reforma de 2003.

PGL: Às vezes ouvem-se cousas como «nom vou estudar 'português' porque já sei galego» ou «o galego permite-nos falar com milhons de pessoas»... mas muitas vezes essas mesmas nom tenhem problemas em negar que galego e português sejam a mesma língua. Nom é algo incoerente a postura?

XA: É, sem dúvida. As diferenças entre padrom galego e padrom brasileiro som muito menores que as próprias do checo e do eslovaco, modalidades do catalám em Valência a respeito da própria do Principado ou das modalidades do servo-croata.

PGL: O próprio Feijóo dizia em finais do ano passado um ensino em castelhano, inglês e galego porque «quinhentos milhons de pessoas falam inglês, 400 castelhano e 200 milhons pertencem ao mundo lusófono». Esta equiparaçom do galego com o mundo lusófono nom é contraditória com a atitude lingüística da Junta da Galiza?

XA: Sim, outra volta. A Galiza precisa de um pacto social e político para resolvermos as relaçons com a Lusofonia, que ponham em valor maioritário as nossas capacidades a respeito deste mundo. Isto requer, desde logo, assumir que a Galiza precisa de umha política exterior de seu, como qualquer outro território.

PGL: Como militante do BNG e membro da anterior equipa da Junta, crê que se fijo todo o possível no relacionamento da Galiza com o mundo lusófono?

XA: Nom houvo tempo a mais. Como di Anxo Quintana, nom tentamos impor o galego, apenas "pôr" o galego. Tendo em vista umha segunda legislatura estavam programadas importantes acçons de promoçom empresarial e cultural. No entanto, normalizárom-se relaçons com os Governos estaduais brasileiros, com todos os níveis institucionais da República portuguesa, e tentámos apoiar neste eido outras iniciativas sociais no ámbito cultural, sen expressar umha opiniom a respeito de umha remuda da normativa -que nom compete a este Governo nem ao anterior-.

PGL: Em 2014 a Taça do Mundo de futebol terá lugar no Brasil, e em 2016 os Jogos Olímpicos. A Galiza tem umha grande oportunidade aí? Como se poderia aproveitar?

XA: Em 2014 é o mundial, e isto representa umha oportunidade histórica. Acho que cumpre desenhar um Plano ambicioso de presença no Brasil, agir com os Governos estaduais e com os "lobbies", propiciar que grupos empresariais galegos podam fundar subsidiárias com parceiros brasileiros. A Galiza tem muito que achegar ao grande salto adiante do Brasil e a proximidade lingüística e histórica pode representar para um pequeno país de menos de três milhons de habitantes umha opçom ímpar, se nos envolvermos no grande estádio do desenvolvimento social e económico brasileiro. Em 2016 já será tarde de mais.

 

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