Caetano Díaz: «A de vivermos de costas a Portugal é umha constante histórica que nom acabo de perceber»

«A aposta polo galego normativo na imprensa em papel tem muito que ver com a política de subvenções da Junta»

Terça, 15 Junho 2010 06:21

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Caetano Díaz é diretor do Galicia Hoxe | Foto: Arquivo GH

PGL - Caetano Díaz é o diretor do Galicia Hoxe, atualmente o único diário de pagamento em galego que se distribui na Galiza. Do Portal Galego da Língua quigemos conversar com ele para conhecer a sua visom acerca do idioma, do jornalismo e da Lusofonia, entre outras questões.

PGL: Galicia Hoxe é o único jornal diário em galego de pagamento que se distribui na Galiza. Demoraremos em ver mais algum?

Caetano Díaz: Com a que está a cair, e com os números de rendibilidade da imprensa em galego, muito temo que vamos tardar em ver cristalizar umha outra aventura como a do Galicia Hoxe. É umha mágoa, mas somos como somos e este país é o que temos e, parece, queremos ter polos séculos dos séculos.

PGL: Que tem de especial dirigir um meio como Galicia Hoxe, quais as motivações do seu diretor?

CD: Dirigir o Galicia Hoxe é um privilégio, um sonho para qualquer jornalista que ame a sua profissom e o seu país. Junto ao quadro de profissionais que trabalham no projeto, a nossa aposta conjunta passa por contar e fazer análise e ensaiar outras maneiras de fazer jornalismo.

PGL: Existe umha comunicaçom social galega voltada para a Galiza por parte dos diários galegos ou o magnetismo de Madrid é poderoso de mais?

CD: Existem intentos, com maior ou menor fortuna, de fazer comunicaçom em chave galega, mas nom apenas o magnetismo de Madrid é forte. Vivemos em plena eclosom do fenómeno global e os meios de países que pesam tam pouco como o nosso pouco podem frente às agências e os lobbys que direcionam a informaçom e as opiniões.

PGL: Sendo Portugal o único estado com que limitamos, porque ocupa tam pouco espaço nos meios informativos galegos?

CD: A de vivermos de costas a Portugal é umha constante histórica que nom acabo de perceber, e menos entendo que nom aproveitemos sinergias positivas tanto para eles como para nós. Quiçá exista um pouco, ou um muito, de falso complexo de superioridade pola nossa banda...

PGL: Que acharia da hipótese de o Galicia Hoxe, tal como Vieiros, ter um suplemento semanal dedicado à lusofonia?

CD: Primeiro, quero aplaudir o labor de Vieiros em defesa dos valores da Galiza e a sua aposta pola Lusofonia. A ideia de um caderno semanal, ou mensal, em papel é boa, apesar de que complicada de pôr em marcha nestes momentos de fortes recortes nos investimentos em todo o sector mediático. Quero dizer que nom é um problema de ideologia ou de sermos refratários frente à Lusofonia —nom no caso do Galicia Hoxe, com certeza—, mas de pura e dura economia.

PGL: Um dos vossos colunistas mais visitados, Pichel Campos, escreve na versom extensa e útil da nossa língua. Em geral o peso dos opinadores em galego-português é bem maior na rede que na imprensa escrita. A que pode ser devido?

CD: A aposta polo galego normativo na imprensa em papel tem muito que ver com a política de subvenções da Junta, que vincula quase sempre a concessom de ajudas ao uso do galego que segue as normas da Real Academia Galega. Sei que é umha política discutível, mas entendo que foi umha decisom nascida da necessidade de apontoar o nosso idioma em tempos ainda mais complicados do que os atuais.

PGL: Um dos grandes marcos para a normalizaçom da nossa língua som a extensa rede de locais sociais que há na Galiza e da qual, ao que sabemos, nenhum jornal diário tem elaborado umha reportagem. Podia ser GH o primeiro?

CD: No Galicia Hoxe já figemos trabalhos sobre a rede de locais sociais e o mundo paralelo que neles se desenvolve. Está claro que nunca é suficiente, mas a nós interessa-nos deixar constância dessa realidade e seguiremos a contá-la.

PGL: Fala-se amiúdo da crise da imprensa escrita. Acha, como afirmam alguns especialistas, que o papel deixará de existir na informaçom diária em poucos anos?

CD: A crise da imprensa em papel é umha das grandes lendas urbanas. É certo que estamos a viver tempos distintos, nos quais internet impom outras maneiras de nos comunicar, mas a imprensa em papel tem futuro e, se figermos o que devemos, a rede nom a vai assassinar, do mesmo modo que a televisom nom matou a rádio.

Os nossos retos som recuperar a credibilidade, apostar por informações que interessem à gente, pelejar pola independência e nom nos deixarmos comprar polos poderes fácticos —nom só os políticos e os grandes grupos empresariais—, respeitar a veracidade, analisar com liberdade e contratar sempre os melhores para garantir que vamos contar as melhores histórias... quase nada! Mas ou isso, ou umha lenta e triste agonia.