Séchu Sende: "O reintegracionismo é um dos motores para mudar a situaçom da língua"

"A mim o que me interessava é que a gente pegue este livro na mao e se identifique com os animais que saem nele nessas diferentes situaçons, e mais que os veja como protagonistas da história do nosso País"

Sexta, 13 Agosto 2010 10:54

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Sende a carom de um sinal de tránsito na Capadócia | Foto: Séchu Sende

PGL - O escritor Séchu Sende foi recentemente entrevistado polo portal Galiciaé com motivo do seu último livro, Animais, editado pola ATRAVÉS | EDITORA. Na alargada conversa, este padronês namorado do Courel fala demoradamente acerca da situaçom da língua, do reintegracionismo... e, mádia leva, da sua obra e do conflito entre o 'progresso' e a natureza.

Começa Sende a entrevista a explicar que a passagem ao reintegracionismo foi "um processo pessoal que fum completando nos últimos anos", ajudado em boa medida porque os ambientes nos quais ele mais se relacionou e que considerou mais criativos, "o 'nh' e o 'lh' eram marcas de identidade, e entom escolhim nom ocultar essa opçom pessoal".

Assinala, por exemplo, que o seu anterior trabalho, Made in Galiza (galardoado polo setor como livro do ano galego em 2007), foi escrito "quase aos 90% na normativa reintegrada, e depois adaptei-no para a oficial, tirando dous contos que se coárom". Porém, com Animais desejou que "saísse na sua versom original", o qual foi um "repto pessoal" que encontrou a oposiçom das editoras Galaxia e Xerais, às quais "nom lhes pareceu bem a ideia e nom o quigérom editar assim". Nesta altura da conversa, Sende agradece a colaboraçom da ATRAVÉS, "umha editora que está impulsionada por gente jovem com muitas ganas de mudar as cousas, mui generosa e, sobretudo, atual e em contato com o País".

Em opiniom do escritor, o reintegracionismo é "um dos motores que tem este país para mudar a situaçom da língua. O que nom se pode fazer é censurá-lo ou discriminá-lo", assegura, ao tempo que assinala que sobretudo "nesses ámbitos que se consideram galeguistas" deveria haver umha mudança de atitude a respeito, porque "nom é de recibo botar pedras diante do caminho dos teus próprios companheiros de viagem". Pede, aliás, "comportamentos democráticos" ao redor do que é a opçom ortográfica, "que as editoras arrisquem mais, que nom dependam tanto das subvençons, que os concursos literários aceitem a norma galego-portuguesa. Que as publicaçons nom excluam o 'nh' ou o 'lh'", de tal forma que haja umha "relaçom de iguais entre a gente da órbita galeguista".

Vítimas da nossa 'humanidade'

Quanto ao livro, o padronês identifica-se com todos os animais que aparecem no álbume, mas nom escolhe nenhum em partigular porque "cada um de nós poderia ser um desses animais em situaçons diferentes", e coloca como exemplos "o lobo subindo as escadas, o esquio a carom do guindastre ou a lavandeira ao lado de Reganosa em Ferrol".

"Somos animais", afirma, à vez que vê "complicado" decidir quem tem maior grau de animalidade, se um político que assina um papel, um construtor que destrói umha zona natural ou os próprios animais que vivem na natureza, razom pola qual "o título é ambíguo". "A mim o que me interessava é que a gente pegue este livro na mao e se identifique com os animais que saem nele nessas diferentes situaçons, e mais que os veja como protagonistas da história do nosso País", habitualmente "vítimas da nossa própria forma de nos comportarmos como humanos", lamenta.

Defensor da importáncia do poder da palavra para ajudar a mudar o mundo, Séchu Sende reivindica o livro como "mais umha achega" neste senso. "O grau de transformaçom ou a capacidade de mudança por metro quadrado de um vocábulo é difícil de calcular. Mas o que está claro é que a literatura, o cinema, as palavras que nós falamos durante umha comida ou reuniom de colegas é precisamente o que muda o mundo pouco a pouco".

 

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