Secções Bilíngues, mais outra razão para estudar português

A motivação para estudar português na EOI surgiu com a raiva de que uma matéria que sempre déramos em galego queríamos continuar a dá-la

Quinta, 25 Novembro 2010 00:00

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Daniel Pereiro, Isabel Mato e Carmen Fernández

Valentim R. Fagim - O PGL entrevistou três alunos de português da EOI de Santiago que têm vários aspetos em comum para além de estudarem juntos. Daniel Pereiro é professor de tecnologia, Isabel Mato é docente de matemática e Carmen Fernández leciona Física e Química.

Portanto, as três ensinam cadeiras que com a nova legislação devem ser ministradas em castelhano. Um outro facto que também os une é que uma das suas motivações para estudar português é alcançar o nível adequado para abrir uma secção bilíngue.

Antes de mais, os nossos leitores e leitoras precisariam de saber o que são as secções bilíngues e os institutos plurilíngues.

Um secção bilíngue nasce quando um professor quer lecionar a sua matéria numa língua estrangeira enquanto os centros plurilíngues são de recente criação e são os que se comprometem a chegar ao terço de língua estrangeira que marca o decreto. Nas secções bilíngues, os alunos podem escolher receberem as aulas na língua estrangeira (LE) e só se dá uma parte da matéria na LE.

Nos centros plurilingues é o professor e o centro os que decidem lecionar a sua matéria desde o primeiro curso totalmente na língua estrangeira.

Para a secção bilingue exige-se um B1 (4 anos de EOI) e para o centro plurilingue seria um B2 (os seis anos da EOI).

De que depende conseguir o estatuto de secção bilíngue? Existe um protocolo formal e objetivo ou depende da subjetividade de alguma secção da conselharia?

A secção bilíngue é fácil de conseguir, solicita-se e costuma-se conceder. O projeto é elaborado polo docente e tem de ser aprovado polo claustro e os alunos escolhem, pudendo haver desdobramentos com turmas na língua estrangeira e turmas com a língua habitual. No caso da escola plurilíngue é o centro em conjunto que realiza a petição e tem de ser aprovado pola Conselharia de Educação.

Que foi o que vos motivou a estudar português na EOI? Surgiu espontaneamente ou houve contatos entre docentes?

Foi espontânea e surgiu com a raiva de que uma matéria que sempre déramos em galego queríamos continuar a dá-la. Cada um de nós tem caraterísticas diferentes, a Carmen e a Isabel já estudaram antes e o Daniel é lusista (risos).

Para Daniel, fazer um centro bilíngue em português seria uma maneira de voltar o decreto em contra deles porque não acredita que gostem muito do português quando gostam tão pouco do galego.

Como foi recebido no coletivo de docentes de ciências a obrigatoriedade de lecionar em castelhano?

Não se deu uma resposta homogénea. Há docentes que sempre as deram em galego mas por comodidade, os livros agora estão em castelhano, passaram-se a esta língua. Para o Daniel foi uma surpresa negativa e inesperada, porque embora matemática e física tenham sido tradicionalmente “valoradas” e de “prestígio”, nunca ocorreu isso com a tecnologia, a que recentemente se eliminaram duas horas de aulas. Acredita que entrou no pacote como pudo ter entrado qualquer outra para acompanhar as primeiras.

 

Os labores de inspeção estão a ser “tão profissionais” como na etapa anterior, relativamente aos docentes que deviam lecionar em galego?

Segundo Isabel nada mudou por enquanto mas ainda não houve muito tempo de inspecionar. No seu caso, uma turma a quem já dera aulas exigiu-lhe que continuasse a dar as aulas em galego.

Segundo Daniel não haverá grandes mudanças não sendo que os pais reclamem. De resto, o decreto está recorrido e não querem sarilhos caso expedientem um docente. Isabel e Carmen lecionam em centros galego-falantes e não adivinham mudanças, nos centros urbanos, o panorama será diferente. Se quisessem pôr-se a sério, já o teriam feito.

Tendes previsto divulgar a ideia, por exemplo, no coletivo do professorado de ciências ou noutros?

Criou-se um grupo no facebook, Profes co galego, que também tem um blogue. A ideia é continuar a dar aulas em galego amparando-se em leis de rango superior. O esquema é: “Não sou insubmisso, estou a cumprir a lei”. A estratégia de criar um secção bilíngue em português não forma parte de uma estratégia coletiva.

Recentemente chegaram uma oferta de cursos para dar o título para centros plurilíngues e só há oferta em inglês e francês. Em princípio contempla-se o português mas indica que se deve contar com os docentes de LE do centro, e estes são quase todos de inglês e francês. Podia dar-se o caso de solicitar português e dar qualquer desculpa para não o conceder. [Atualmente há 25 centros entre 346 onde se leciona português LE e uma secção bilíngue no IES 12 de Outubro, cilco de Estética Decorativa, em Ourense]

Como está a ser a vossa experiência como alunos(as)?

F. comenta que havia muito tempo que não estava do outro lado. Para Isabel a turma é mui agradável e para Daniel, que tem dous filhos miúdos, as aulas são uma fonte de... relax.

Muito obrigado