Xavier Castellanos: "A fronteira está nos preconceitos e no desconhecimento"

Aventuras no Mar de Lira, um conto para crianças editado em edição bilingue galego-português / castelhano

Quarta, 02 Fevereiro 2011 00:00

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Xavier Castellanos estreia-se como escritor

Vítor M. Lourenço - Ativista desde muito novo, homem solidário, viajante incansável... este é, em poucas palavras, Xavier Castellanos, um estradense que agora, sob a fórmula de autopublicação, acaba de dar a lume um conto ilustrado para crianças sob o título de Aventuras no Mar de Lira.

Combinamos com ele em Ourense, numa cêntrica cafetaria da cidade. Há um par de anos já tivéramos a oportunidade de conhecer o Xavier mais humano e ativista, apoiando sempre o pluralismo e a luta pela igualdade, agora quisemos conhecer um pouco mais o Xavier que acaba de fazer a estreia como escritor.

Xavier, como é que surgiu a ideia de escreveres um conto para crianças?

A ideia nasce com o propósito de realizar um presente a miúdos que passam férias no Concelho de Carnota, e mais concretamente na paróquia de Lira, filhos de amigos. Além disso, considero que a literatura em galego-português para esta faixa etária deveria ter maior presença.

Há algum motivo pelo qual a estória decorre na Costa da Morte, no Mar de Lira?

Como diz o conto é ali que mora Sofia, a sereia do Mar de Lira. Eis o principal motivo. E acho que é uma homenagem a esta figura pouco conhecida.

A edição do conto é bilingue galego-português / castelhano. Alguma razão especial para essa escolha?

Sim, verdadeiramente pus em questão este assunto. Quis facilitar a aproximação à nossa ortografia galego-portuguesa, tentando convidar à reflexão ao colectivo instalado no espanhol e ao galego indeterminado, para que observem que o galego que escrevemos tem mais utilidade e com rasgos de mais modernidade do que a normativa oficial.

As crianças do conto descobrem um tesouro que prometem salvaguardar. Há algum moral por trás disso?

Acho que não, eu não sou consciente disso.

E nós, os graúdos... ainda temos coisas por descobrir, podemos ainda ser crianças?

Com certeza que sim, para os pais preocupados e com inquietações na educação esta leitura tem também o objetivo de ajudar a um melhor relacionamento com os filhos. A leitura em comum é muito positiva.

Os miúdos sempre serão o futuro, mas há futuro na Costa da Morte? E por extensão, há futuro na Galiza como tal?

Bom, é uma pergunta que desconheço a resposta. Entendo que a nossa mocidade tem que procurar a sua realização aqui,  estudar e trabalhar na sua terra. Conviver e fortalecer os nossos sinais de identidade, mas isto é difícil. Ainda que a tendência agora não nos favorece há razões para o otimismo.

Falando na Galiza real... Na altura trabalhas em Ourense e moras em Chaves, como é que sentes a passagem da fronteira?

A fronteira está nos preconceitos e no desconhecimento. Trás-os-Montes é a prolongação natural da Galiza, é o nosso sul e não a Andaluzia.

Qualquer coisa para as leitoras e os leitores do PGL...

As leitoras e leitores que subscrevem a linha do PGL formam parte da resistência, do bloco de ideias que merecem ser lidas e ouvidas. Somos uma outra variante de família.

 

 

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