Entrevista a Fernando del Rio (Converxencia XXI, Compostela)

Em política lingüística, «devemos substituir o modelo de subsídios à oferta por subsídios à procura que promova a concorrência entre os centros públicos e privados»

Quinta, 12 Maio 2011 08:38

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PGL - Segunda entrega da série de entrevistas do Portal Galego da Língua com motivo das eleiçons autárquicas de 22 de maio. Hoje, com Fernando del Rio, professor da USC e candidato de Converxencia XXI à Cámara municipal de Compostela.

Em que lugar situa a questom lingüística no seu programa para estas eleiçons e porquê? Quais som as suas prioridades?

Converxencia XXI é um partido comprometido com a nossa língua. Um compromisso baseado na tolerância e o respeito. Acreditamos em que o galego deve ser a língua da administraçom municipal.

Que concelho destacaria como modélico relativamente à política linguística? Crê necessário um orçamento próprio para o Serviço de Normalizaçom Linguística (SNL) ou mesmo potenciar uma concelharia? Por quê?

Nom destacaria nengum em particular. Certamente há alguns concelhos no nosso país que estám a fazer um labor notável. Os Serviços de Normalizaçom Linguística podem ser umha ferramenta útil. Nom acredito na necessidade de umha concelharia que se ocupe em exclusiva destes temas. Seria esbanjar recursos públicos, necessariamente escassos.

Todos os concelhos devem ter um regulamento/ordenança de normalizaçom linguística?

Nom necessariamente. Especialmente os mais pequenos. Um regulamento, no que se refere ao uso na administraçom municipal, pode ser muito ajeitado. Mas como acredito verdadeiramente na autonomia municipal, cada concelho deve saber o que faz.

Na Galiza está a haver umha quebra na transmissom familiar da língua. Que açons e políticas desenvolveriam no plano autárquico neste âmbito nas faixas de idade infantil e juvenil?

Nom acredito em que este seja um tema que competa especialmente à administraçom municipal. O modelo que propugno de normalizaçom lingüística está intimamente ligado à organizaçom da educaçom primária e secundária e o processo deve, portanto, estar comandado pola administraçom autonómica.

Devemos substituir o atual modelo de subsídios à oferta por um modelo de subsídios à procura que promova a concorrência entre os centros educativos públicos e privados. Para isto deveríamos introduzir o cheque escolar às famílias. Com este cheque, que cobriria o custo do ensino num centro público, as famílias poderiam escolher o centro público ou privado da sua preferência. A concorrência entre os centros haveria-se traduzir (i) num incremento significativo da qualidade educativa média e (ii) num aumento substancial da diversidade de modelos educativos.

Os requisitos lingüísticos exigidos aos centros que se acolham ao sistema de cheque deveriam ser pouco restritivos. Assim, cada família poderia escolher o centro educativo que em termos de ensino de línguas se adequasse mais aos seus gostos, dentro de umhas limitações básicas. Isto permitiria orientar as políticas de normalizaçom lingüística em duas direções: (i) poderia-se intensificar a presença do galego nos colégios públicos sem prejuízo de que as famílias nom interessadas pudessem aceder a colégios com mix lingüísticos alternativos e (ii) poderia-se fomentar a criaçom de colégios privados acolhidos ao cheque escolar que apostassem no galego como língua veicular. Esta política permitiria o surgimento de uma elite galego-falante que agisse como referente. Esta funçom de referente social seria especialmente importante entre a juventude das zonas urbanas.

O concelho poderia colaborar nesta política promovendo, junto com outras administrações, campamentos de imersom lingüística, facilitando material aos centros educativos e colaborando com centros sociais, bibliotecas e outros agentes do tecido social.

Qual pensa que som os fatores determinantes para o galego estar  a retroceder socialmente (ordene de maior a menor): o ensino, a família, a política institucional, os mass-média/novas tecnologias, outros (assinale quais).

O factor fundamental é a potência do castelhano. Umha língua extensa e útil à qual os galegos nom devemos renunciar. A tarefa pendente é converter a nossa língua galega em extensa e útil em todas as dimensões, o qual se deve compaginar com a ineludível e perentória profundizaçom do inglês no nosso sistema educativo.

Destaque os puntos fortes e fracos da política lingüística levada a cabo no seu concelho nos últimos quatro anos.

Deve-se destacar que o Concelho de Santiago logrou que o cidadám perceba o galego como a língua da administraçom municipal. Acredito que esta é a súa principal tarefa. Agora bem, estes esforços som baldios sem políticas bem orientadas de normalizaçom noutros níveis da administraçom.

 

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