Entrevista a Lara Soto (Salvaterra de Esquerda)

"Desenvolveremos políticas para quebrar com o isolacionismo mental imposto por esse outro isolacionismo que, além de artificial e inútil, é um cancro para a nossa língua"

Sexta, 13 Maio 2011 09:00

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PGL - Terceira entrega da série de entrevistas do Portal Galego da Língua com motivo das eleiçons autárquicas de 22 de maio. Hoje, com Lara Soto, educadora infantil, ativista feminista e candidata de Salvaterra de Esquerda à Cámara municipal de Salvaterra.

Em que lugar situam a questom lingüística no vosso programa para estas eleiçons e porquê? Quais som as vossas prioridades?

A questom lingüística é para Salvaterra de Esquerda prioritária a tal ponto que seguramente sejamos, junto com Ponte Areias de Esquerda, as duas únicas candidaturas que em todo o País empreguemos a ortografia galego-portuguesa da AGAL como normativa veicular. Nom fazemos fincapé nessa questom do plano propagandístico, mas o nosso som os factos e nom as promessas. A partir do Concelho, aplicaremos umha socializaçom e normalizaçom do padrom AGAL, nom caiba dúvida ao respeito. As prioridades som as quase mil desempregadas e desmpregados que existem no nosso Concelho, o desinteresse polo meio natural, a falta de democracia e de transparência em assuntos de importáncia como os económicos...

Que concelho destacaria como modélico relativamente à política linguística?

Lamentavelmente, nom há Concelho a destacar nesta matéria. A covardia e os complexos som as caraterísticas mais destacáveis naqueles Concelhos nos quais se tem apostado numha galeguizaçom nos trámites burocráticos. No BNG há muito reintegracionista, mas nom se atrevem a sair do armário, agindo com cumplicidade na destruiçom do idioma.

Crê necessário um orçamento próprio para o Serviço de Normalizaçom Linguística (SNL) ou mesmo potencializar umha Conselharia? Porquê?

Com certeza que sim. Somos um povo que se vê privado da sua língua. As que resistimos sabemos que para as instituiçons atuais a língua nom importa nada. Como candidatura soberanista, sabemos que o idioma é o ADN da nossa identidade nacional e merece toda a atençom que se lhe puder brindar da Cámara Municipal.

 

Todos os concelhos devem ter um regulamento/ordenança de normalizaçom linguística?

Sem dúvida. Mas o mais importante é que se leve a cabo o recolhido nessa ordenança. Novamente os factos... Há quem se dê por satisfeito com arrancar do pleno da corporaçom a aprovaçom dessa ordenança. O importante é a galeguizaçom real do Concelho e sobretodo da sociedade. Apoiar os movimentos e coletivos sociais pode ser mais efetivo que umha ordenança.

Na Galiza está a haver umha quebra na transmissom familiar da língua. Que açons e políticas desenvolveriam no plano municipal neste âmbito nas faixas de idade infantil e juvenil?

Levar a cabo iniciativas pedagógicas para explicar da importáncia de preservar a nossa língua é bom, mas isso nom chega. Também se devem criar ámbitos nos quais o galego seja língua imprescindível para a obtençom de benefícios materiais: e nom só em concursos com prémios atraentes aos quais só se poda aceder em galego, mas também em ámbitos como o laboral, o comercial, a comunicaçom social, a promoçom de intercámbios com Portugal... Quebrar também com o isolacionismo mental imposto por esse outro isolacionismo que, além de artificial e inútil, é um cancro para a nossa língua e constringe todo o seu potencial como língua dentro da lusofonia à qual pertence.

Qual pensa que som os factores determinantes para o galego estar a retroceder socialmente (ordene de maior a menor): o ensino, a família, a política institucional, os massa media/novas tecnologias, outros (sinale quais).

A política institucional, o ensino, os mass média/novas tecnologias, a família.

Destaque os pontos fortes e fracos da política lingüística levada a cabo no seu concelho nos últimos quatro anos.

A política lingüística em Salvaterra nos últimos quatro anos foi inexistente, por isso nom passou, como na maioria de administraçons, de umha superficial galeguizaçom da vida administrativa e burocrática. Nem ao governo do PP, nem à oposiçom do PSOE e BNG interessa realmente o tema.

 

 

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