Xavier Moreda: «Tintimám quer ser plataforma de encontro com a Lusofonia, sem que isso implique umha ideia reducionista»

A revista, já à venda na Galiza, distribuirá-se em breve em Bilbau, Barcelona e norte de Portugal

Sexta, 29 Abril 2011 00:00

Atençom, abrirá numha nova janela. PDFVersom para impressomEnviar por E-mail
Engadir a del.icio.us Compartilhar no Twitter Compartilhar no Chuza Compartilhar no Facebook Compartilhar no DoMelhor

Xavier Moreda, diretor da nova época da revista Tintimám

PGL - Referente da movida viguesa desde sua primeira publicaçom, no ano 1984, a revista TINTIMÁM voltou aos quiosques em dezembro de 2010 sob a direçom de Xavier Moreda, com quem conversámos. Atualmente está imerso numa campanha de publicaçom, que vai ter caráter quadrimestral e será distribuída em toda a península e no Brasil.

Com que espírito nasce ou qual é a necessidade que dá início ao surgimento dessa primeira ediçom da Revista, antes TINTIMÁN, hoje TINTIMÁM, lá polo ano 1984?

Este TINTIMÁM é, sem dúvida, herdeiro daquele outro. Mas eu, fundador aos 24 anos, quase 27 anos após, recupero-a com um fundo cultural e portanto político imprescindível para entender umha época de mudanças radicais e de desintegraçom geo-política, de umha perspetiva ainda mais aberta, mas muito mais radical. Num momento onde a cultura vai deixar e tem que deixar de ser “oficial” e de encarrega, e verniz da corrupta classe política que na Galiza, por exemplo, nom duvidou em utilizar a própria figura de Castelao negando o seu ideário ou utilizando a Memória do nosso povo, continuando um processo de genocídio mais ou menos intermitente, às vezes muito subtil e assim mesmo mais embrutecedor através da própria televisom (TVG) potenciando um neo-hiperenxebrismo próximo a Xan das Bolas e a ridiculizaçom do galego.

 

A revista tivera muito bom sucesso naquela década dos anos 80 de crise e reconversom industrial, chegando a sua divulgaçom além das nossas fronteiras. É a crise económica um nexo de uniom entre estas duas épocas, ou há outros aspetos a ligarem cada umha delas?

TINTIMÁM nascera com a crise e renasce com outras crises, mas vendeu mais, além das nossas fronteiras. Apenas passaram 9 anos desde a morte da besta, Franco morrera na cama o 20 de novembro de 1975, TINTIMÁM estava na rua em dezembro de 1984. Nascia ainda no tardo-todo e também no tardo-ciclostic; todo o que for em preto e branco e denso era sério, o demais era visto com surpresa ou rejeitado por qualquer uns setores. As cores eram vistas com desconfiança intelectualoide após a “longa noite de pedra”. Falamos de épocas bem distintas.

Que novas achegas e com que vocaçom nasce este novo projeto no momento atual?

Mais do que estéticas que determinam para mim, sem dúvida, um jeito de compreender e de narrar, e como parte do conteúdo, a nossa realidade invisivilizada, a cultura que comemos e usamos, que queremos criar. Mas que nada tem a ver, ou pouco, com aquela outra época que iniciaram na transiçom-sem-fim (traiçom-sem-fim) que começaram ex-falangistas, franquistas e inesquerdistas. Quer ser plataforma de encontro com a Lusofonia, sem que iso implique umha ideia reducionista para inventar outro tipo de isolacionismo que nom contemple outras realidades culturais, contemporâneas ou nom. "A internacionalizaçom desde o lugar que habito" é o título do editorial do 00.

Quanto à sua divulgaçom, a revista procura aproximar-se a qualquer tipo de público ou apenas fica restringida a um setor ou setores das elites culturais, artísticas e intelectuais?

Quando falamos com os publicistas, eis a eterna pergunta: qual é o perfil? TINTIMÁM tem que ser como projeto um extraordinario ato de normalidade, de normalizaçom, de radicalidade contra o novorriquismo imperante. Já no primeiro TINTIMÁM procurei fazer a revista que queria para mim, agora, ainda mais consciente e com essa experiência acumulada, quero fugir de supostas elites adventícias e de qualquer parasitagem dos e nos lindeiros dos clubes com direito a mausoléu no Gaiás.

 

Tenta contar com ajudas, subvençons ou financiaçom de algum organismo ou instituiçom pública ou prefere manter a independência frente a qualquer grupo de poder económico ou político?

O pago dos serviços aos artistas de qualquer governo vai no mesmo saquete e na pertença aos clubes criados; o sequestro do falso mecenato criado com o novorriquismo, especialmente político, traduz-se em controlo da arte e da cultura de um país, o que significa: o controlo da populaçom e das instituiçons culturais submetidas política e comercialmente polas encarregas ou perguntas 'nstitucionais' (Galicia ou Galiza?) de quem paga em detrimento das autênticas e básicas necessidades culturais que tenhem, em principio, mais a ver com a formaçom e com a criaçom de infraestruturas e a conseqüente valorizaçom ”natural” dos projetos culturais.

Conjuga arte, cultura, desenho, vanguarda, política, universalidade, de umha óptica urbana. O rural nom tem possibilidade de existir e se integrar neste projeto?

Eu sempre digo que amo a cidade, e como tal TINTIMÁM tem umha visom urbana que nom implica nengum tipo de negaçom do próprio, todo o contrário: “a luita continua!” também contra o renegacionismo a prol da recuperaçom da Memória, sem cair nas celebraçons funerárias que eliminem o otimismo necessário para construirmos projetos baseados na mesma utilidade da Memória contra o presentismo e o apoliticismo ativo.

Quer ser o desenho umha marca de qualidade e vanguarda em torno do qual se organiza toda a sua temática ou é um elemento ao mesmo nível que os demais elementos ou aspetos?

Entendemos, Eva Miranda, a diretora de arte e desenhadora, e eu, que o desenho é tam importante para TINTIMÁM-objeto; a estética como conseqüência ética e como tal tem que ser o contentor luxuoso que é, sem complexos que impedam chegar a qualquer parte do mundo.

 

Para a sua redaçom utiliza o galego-português, mas há traduçons para inglês e castelhano. Poderemos ler também TINTIMÁM traduzida ao francês, catalám ou basco? Tenta evocar, assim, um afám universalista inerente a todo o tipo de artes visuais, produtivas e criativas neste mundo da globalizaçom?

Nunca melhor dito, na pergunta vai implícita a resposta, mas há muito mais; a língua oficial é o galego-português traduzido a outras línguas; gostaria que fosse plurilingue mas há um problema de espaço e de economia em qualquer sentido. Mas, do que eu mais gosto e mostrar que em galego-português podemos fazer desde a Galiza, umha revista universal.

Para finalizar esta entrevista, podes mencionar que elementos chave porias em destaque para definir o espírito de TINTIMÁM e atrair assim possíveis leitores?

A crença de que a cultura em galego-português deve ser recuperada em chave contemporânea para ecoar em todo o mundo, e de que as práticas culturais da maneira e do tipo que forem devem despojar-se de qualquer apelido espúrio como, por exemplo, industria como sinónimo de eficácia, que a converta ou que a tente converter em simulacro de universalismo dos que tentam medir a cultura em metros pétreos. TINTIMÁM ao dispor dos e das que consideram que devemos inventar umha nova comercialidade que permita a difusom cultural dentro do nosso habitat natural, onde o português é falado por mais de 240 milhons de pessoas, e fora por todo o mundo, traduzido. A internacionalizaçom desde o lugar que habito, que habitamos.

 

Dados de contato da revista

Endereço eletrónico geral: revista.tintimam[arroba]gmail.com

Endereço para assinantes ou pessoas interessadas em informaçom para distribuir a publicaçom: subscribe.tintimam[arroba]gmail.com

Telefone: +34 633 410 401


+ Ligaçons relacionadas: