Entrevista a Isabel Pérez (BNG, Ourense)

«Procuraremos umha especial colaboraçom e intercámbio com o ámbito lusófono em todos os setores»

Quinta, 19 Maio 2011 07:20

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PGL - Última entrega da série de entrevistas do Portal Galego da Língua com motivo das eleiçons autárquicas de 22 de maio. Hoje, com Isabel Pérez, candidata à Cámara municipal de Ourense polo BNG.

Em que lugar situa a questom lingüística no seu programa para estas eleiçons e porquê? Quais som as suas prioridades?

O programa do BNG nestas eleiçons municipais está dividido en dez grandes blocos, dos quais o terceiro se titula «O galego, a língua própria do teu Concelho», pois para o BNG a normalizaçom do galego é um objetivo preferente, transversal e central. A açom política do BNG terá como um objetivo preferente procurar a normalizaçom lingüística em todos os ámbitos e de maneira transversal, o que significa que nom só se desenvolverám açons normalizadoras, mas também se procurará o incremento do uso e prestígio da língua galega com todas as açons desenvolvidas desde os diferentes ámbitos e setores.

Que concelho destacaria como modélico relativamente à política lingüística?

As questons comparativas som sempre complexas. Dentro das cidades, nós éramos a única cidade que nom contava com um Serviço de Normalizaçom Lingüística, questom que resolvemos neste mandado. Em geral, nas cidades do país já há desenvolvido um trabalho importante. Possivelmente algo que falte a dia de hoje é um trabalho em rede entre os distintos serviços.

Crê necessário um orçamento próprio para o Serviço de Normalizaçom lingüística (SNL) ou mesmo potenciar umha concelharia? Por quê?

Como aparece recolhido no programa eleitoral, neste mandado estabeleceremos umha despesa específica para as açons de normalizaçom lingüística no orçamento municipal. Do BNG trabalharemos pola promoçom, uso e prestígio do galego em todas as açons do Concelho e em todos os ámbitos do município, para o qual se potenciará e consolidará o Serviço de Normalizaçom Lingüística (SNL) municipal, dotando-o de recursos humanos estáveis, verba orçamental suficiente e conferindo-lhe um carácter transversal vinculante no organigrama do Concelho.

Todos os concelhos devem ter um regulamento/ordenança de normalizaçom lingüística?

No programa do BNG nestas eleiçons municipais comprometemo-nos a renovar a Ordenança para o impulso do uso do galego, em relaçom com o Plano de Normalizaçom que se aprovar, e nela estabeleceremos os objetivos normalizadores básicos do Concelho. Polo tanto, o nosso ponto de vista é claro e inequívoco. Permiti-me acrescentar que nesta Ordenança queremos regular os usos lingüísticos da administraçom e fixar as medidas básicas para a procura do incremento do uso e prestígio do galego desde o Concelho.

Na Galiza está a haver umha quebra na transmissom familiar da língua. Que açons e políticas desenvolveriam no plano autárquico neste ámbito nas faixas de idade infantil e juvenil?

No programa do BNG temos umha epígrafe inteira dedicada às nossas propostas em matéria de medidas normalizadoras desde a Cámara municipal. Nós percebemos que nom vivemos numha ilha, mas num território interrelacionado e que resulta importante fazer normalizaçom lingüística em relaçom com os demais agentes sociais. Em particular, da Corporaçom, e contando com o Serviço de Normalizaçom lingüística, promoveremos a assinatura de um Pacto pola Língua que reúna baixo os mesmos compromissos de defesa e promoçom do galego as forças políticas, sindicais, organizaçons empresariais, colégios profissionais, sistema de ensino e quantas instituiçons ou pessoas se queiram somar.

Constituiremos um Conselho Social da Língua em que se impliquem os diferentes coletivos, entidades e pessoas interessadas na aplicaçom da política local de normalizaçom da língua galega. Este Conselho será o encarregado de velar, a partir da perspetiva da participaçom social, polo correto cumprimento dos objetivos marcados no Plano. Procuraremos normalizar o uso do galego naqueles espaços em que está excluído ou nos quais está menorizado. Ofereceremos, através da Escola de Maes e Pais, material para valorizar a língua galega, de modo que as novas maes e os novos pais compreendam a importáncia da transmissom oral em galego nas primeiras etapas da vida.

Procuraremos a oferta de um ensino infantil de 0 a 3 anos em galego e de qualidade através das escolas públicas de titularidade autárquica ou nas quais tem participaçom a Cámara municipal. Também se apoiará o uso do galego nas escolas infantis privadas. Promoveremos o desenho, criaçom e distribuiçom de jogos e livros em galego. Colaboraremos com as equipas de normalizaçom e dinamizaçom lingüística dos centros de ensino nas suas açons de promoçom da língua galega no ámbito escolar e, ademais, procuraremos sempre fins normalizadores nas atividades extraescolares que se ofereçam desde a Cámara municipal.

Desenvolveremos campanhas atrativas para a incentivaçom do uso do galego por parte da mocidade, adaptadas aos seus espaços, linguagens e interesses, e programaremos umha oferta de ócio em galego, atrativa e de qualidade, ajeitada para a mocidade. Organizaremos espaços de criaçom literária e musical em galego para o estudantado dos centros de ensino, com a participaçom de escritores e escritoras, editoriais, músicos e letristas da cidade. Criaremos espaços lúdicos na nossa língua, difundiremos a oferta de lazer existente em galego e transmitiremos mensagens positivas de e para o uso da língua através de todas as atividades para o tempo livre oferecidas desde a Cámara municipal.

Facilitaremos a incorporaçom da populaçom imigrante à língua própria da Galiza, achegando-lhe para isto umha oferta formativa que seja atrativa, gratuita, útil e de qualidade. E, com efeito, procuraremos umha especial colaboraçom e intercámbio com o ámbito lusófono em todos os setores (cultural, associativo, económico, desportivo) e contribuiremos de modo especial a mostrar e difundir as criaçons musicais, literárias, teatrais, audiovisuais através das programaçons culturais autárquicas.

Poderia seguir com muitas mais medidas concretas que temos no nosso programa, que contém mais de 500 propostas que desenvolveremos sempre contando com a cidadania nos próximos quatro anos. Ao tratar-se de um programa pensado sobre umha ideia de cidade é singelo encontrar propostas relacionadas com a língua noutros apartados. Por citar algum, no ámbito de cultura comprometemo-nos a aproveitar os preparativos da efeméride da criaçom da revista Nós, o próximo 2020, para fomentar um corredor cultural estável com o ámbito cultural da Lusofonia.

Quais que som os fatores determinantes para o galego estar a retroceder socialmente?

Do nosso ponto de vista, a normalizaçom e dinamizaçom do uso do galego tem que ser transversal e implicar todos os setores sociais, porque todos som determinantes. Como dizia anteriormente, nom vivemos numha ilha e, do mesmo modo, resulta mui difícil priorizar os distintos fatores, todos eles mui importantes na situaçom sociolingüística atual. O nosso trabalho tem a ver com as competências a nível da administraçom local, e desde esse ámbito é desde onde trabalharemos com toda a nossa energia para melhorar no uso e também no bom uso, referindo-me ao emprego de umha terminologia acaída.

Destaque os puntos fortes e fracos da política lingüística levada a cabo no seu concelho nos últimos quatro anos?

Nestes quatro anos apoiamos o galego desde o Concelho convencidos da necessidade de defender o nosso idioma, e intentamos promover o seu uso de maneira integral e transversal em todas as atuaçons setoriais. Ainda, criamos o Serviço de Normalizaçom Lingüística, inexistente até a altura no Concelho de Ourense. Promovemos a aplicaçom da Ordenança municipal sobre o uso do galego. Também publicamos um Livro de Estilo, que é um guia para o correto uso do galego na administraçom local. Umha das questons mais complexas era o ponto de partida: num concelho com as dimensons do de Ourense, nom havia um SNL e, portanto, tampouco persoal para desenvolver o necessário trabalho. Alguns possíveis pontos fracos derivam-se desta questom inicial e esperamos melhorar no seguinte mandado.

 

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