Puto Coke: «Temos um passado comum, um passado que não esquecemos, e demostramos que queremos continuar a gozar dessa união no presente»

«No meu coração Portugal e Galiza são claramente um só país, e também sei bem que no coração dos portugueses um galego não é o mesmo que um espanhol qualquer»

Sexta, 27 Maio 2011 00:00

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Valentim R. Fagim / Antón Papaqueixos - O viguês Puto Coke é um dos referentes do hip-hop galego e internacional · Conversámos com ele na sequência de  GgAaL-EGO, um projeto onde reivindica a nossa língua... mundial.

P: A música tem-se revelado como uma área onde galegos/as, portugueses/as, brasileiros/as, angolanos/as têm interatuado de uma forma produtiva. Para além do teu caso, temos Cantos na Maré com Uxia Senlhe, a colaboração entre Ugia Pedreira e Fredd Martins ou Aló, irmão. Que tem a música que torna fácil o que os políticos tornam problemático?

R:
O que está claro é que todos estes povos compartilhamos uma língua mãe, e isso une, entre outras cousas indica que temos um passado comum, um passado que não esquecemos, e demostramos que queremos continuar a gozar dessa união no presente. Apesar de que parece que alguns governos preferem a estratégia de nos dividir, no meu coração Portugal e Galiza são claramente um só país, e também sei bem que no coração dos portugueses um galego não é o mesmo que um espanhol qualquer.

A música é sincera, e quando os irmãos se põem a trabalhar numa música, todo aquele sentimento de união aparece.

P: Quais pensas que seriam as melhores estratégias para que a juventude de uma cidade como Vigo, visse na língua da Galiza uma vantagem, uma oportunidade?

R:
Eu incluiria nos livros de Texto de Galego nas escolas as diferenças com o português, já que o português é falado por 256 milhões de pessoas no mundo, deste jeito penso que lhe daríamos por um lado uma importância prática à nossa língua, já que o galego está a tornar-se num idioma só válido para a Galiza, e do meu punto de vista defender o uso único do Galego na Galiza é condenar a língua a ser defendida por mero romantismo, e penso que não convém.

O que também faria é dignificar a língua como fam os catalães, por exemplo, com mais propostas culturais de qualidade e boas campanhas de conscientização juvenil.

P: As pessoas, na hora de fazer escolhas (a língua, por exemplo), temos em conta referentes e redes sociais. O Puto Coke tornou-se agora um referente a respeito do galego, és consciente disso?

R: A minha canção é para todos os galegos e não galegos, mas os que praticam Galego já o fam, não necessitam mais convencimento. O que eu figem é animar o uso da língua especialmente para aquele tipo de pessoa que tem algum tipo de reparo em praticar o Galego, como por exemplo os músicos que deveriam cantar mais em Galego e menos em Inglês.... estou pedindo um esforço e um pouco de dignidade, e essa foi a minha intenção desde o início.

 

P: Que sucedeu no interior do Puto Coke para que surgisse GgAaL-EGO?

R: Todos estamos dalgum jeito na procura de nós próprios. Neste momento da minha vida, depois de ter-me informado algo sobre a nossa história, e de estar em conexão diária com o rural galego, vim claro que o que tinha que fazer era isto, um tributo à Galiza e à sua cultura, porque Galiza o merece.
Dizer também que o projeto do videoclipe deu a vida à canção e não teria sido possível sem o grande trabalho de Juan Salgueiro, Ani Boado, Fotógrafos Gayo, Duplo studios, Gai Prancilhi e Silvia, Cristobal Vidal e o resto da equipa.

P: Fala-nos um bocado do que se está a "cozer" em Vigo... como vai a produtora Likor Kafe? Que projetos imediatos tendes entre as mãos? E que projetos não tão imediatos?

R: Em Vigo a cousa está que arde! A prova disso pode-se ver nas festas que organizamos “Fiesta Freestyle Vigo” onde se juntam uns 40 Mcs de média.
Eu agora mesmo estou muito centrado no meu próprio álbum como MC solista, o que fum gravar a Cuba nos estúdios Abdala, e que se tudo vai bem sairá este ano, e também estou a trabalhar no que virá sendo o próximo trabalho de Wöyza.

Ademais disto há vários projetos que por prudência prefiro não adiantar polo momento.

P: Estiveste a fazer colaborações em Portugal com pessoal de Mind da Gap... como o valoras? quê aprendeste? continuas em contacto com eles?

R: Mind da Gap são os responsáveis de que eu entrasse no mundo português do Hip Hop, ademais disso pola sua veteranice eu aprendim com eles e curtim de cada música que levamos feito juntos, a dia de hoje continuamos a ter uma boa relação e participações em projetos comuns.

P: O Hip-hop tem um enorme peso no mundo lusófono, Marcelo D2, Sabotage ou Gabriel no Brasil, Mind da Gap ou Da Wesel na cena tuga ou os Kalibrados na Angola. Para quando um álbum que recolha uma seleção de hip-hop em português a incluir grupos da Galiza?

R: Isso seria algo grande, seria sintoma de que já estaríamos reconhecidos dentro da Lusofonia, o qual penso que é um direito histórico.

P: Como correu a experiência com as Malvela? Qual o nexo entre o hip-hop e a música tradicional?

R: Com as Malvela figemos um remix de um tema de festa popular que elas tinham gravado, é uma música desenfadada e divertim-me muito com as velhinhas atuando. Ora, gostava de saber onde estão os meus direitos de autor daquela canção, já que foi supostamente canção do verão na Galiza e eu não vim um Euro...

P: Xurxo Souto com o seu Aberto por Reformas abriu uma janela onde mostrar a música em galego. Acha-se em falta esse espaço ou espaços similares?

R: Sim, necessitamos de Xurxo Souto na rádio! E necessitamos de mais espaços como aquele para promover o nosso com bom critério.

P: Qual é o presente e o futuro do Hip Hop na Galiza?

R: Atualmente o Hip hop galego está em forma, espalhando-se e chegando ao coração do público, continua a crescer e tem vários artistas a representar além das nossas fronteiras, e auguro que haverá um reconhecimento maior no futuro e novos valores que continuarão a saga.