Xemma Fernández e José Antom Serém, editores de 'Poemas no Faiado'

«A poesia sempre tem uma componente de jogo com a língua, com a perceção da realidade»

Quinta, 14 Julho 2011 06:55

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PGL - No passado mês de maio a ATRAVÉS|EDITORA estreou-se na Feira do Livro de Compostela apresentando publicamente a obra Poemas no Faiado, antologia editada sob o coidado de Xemma Fernández e José Antom Serém. Trata-se de umha recopilaçom de poemas para crianças que inclui textos de autores de diferentes países lusófonos.

Do PGL quisemos entrevistar Xemma e José Antom para conhecermos um bocado melhor as caraterísticas deste trabalho e as motivações que os levaram a promover esta ediçom.

P: Poemas no Faiado apresenta como subtítulo: Antologia de poesia lusófona para crianças. Como surgiu a ideia de editar um livro destas caraterísticas. Que vos motivou a o fazer?

R: Juntaram-se diferentes causas; em especial, a gente achegada começou a ter crianças e vimos que não havia muitos livros do género; não havia uma antologia da poesia da lusofonia para as crianças galegas e também não gostávamos das portuguesas. Por outra banda, na Galiza sim há um bom trabalho de livro infantil, sobretudo em contos ilustrados, mas não em poesia.

P: Poemas no Faiado não é simplesmente uma recolha de poemas. Estes aparecem categorizados em prateleiras. Em que consiste esta subdivisão e que a motivou?

R: Queríamos incluir autores clássicos, mesmo que os poemas não estiveram escritos especificamente para crianças e tentar incluir poemas de todos os países da lusofonia. Isto era um problema porque o material que juntávamos era muito heterogéneo quanto a temática, estilo, dificuldade de leitura, etc. Finalmente decidimos que a heterogeneidade poderia ser ótima se encontrássemos qualquer forma de organizá-la minimamente.

O primeiro critério foi a dificuldade de leitura dos poemas e as idades para as que podiam ser interessantes; por isso a divisão em dois grupos: prateleira de baixo (para menor idade) e prateleira de cima (para graúdos e graúdas). Depois pensamos em subdivisões, mas como o critério temático era inviável, consideramos a ideia de fazer uma pequena poética para crianças. Na prateleira de baixo temos grupos de poemas baseados na rima e nas repetições (caixa dos espelhos), no ritmo e nos sons (caixa dos sons), nas estruturas paralelísticas (caixa dos círculos), nas séries (caixa dos cadeados), nas imagens (caixa das cores) e, além disto um grupo de poemas-jogo e poemas-piada (caixa dos jogos) e cantigas de berço (caixa do sono) por serem dois grupos muito presentes na poesia infantil. Na prateleira de cima, a organização está mais relacionada com os tipos de texto: poemas descritivos (a caixa das fotografias), narrativos (a caixa das historias), apóstrofes líricas (a caixa das chamadas) e poemas de maior complexidade argumentativa (caixa das reflexões).

P: Na hora de fazer uma seleção, é preciso que exista um protocolo que marque as escolhas. É o caso?

R: Mais que protocolo tivemos alguns princípios: a qualidade dos poemas, avaliar quanto de interessante poderiam ser para as crianças e a variedade geográfica dentro da lusofonia. Mas, o verdadeiramente definitivo foi que nós gostássemos. Neste sentido é uma seleção inteiramente subjetiva e que gostamos imenso de fazer e de presentar.
Um critério que acabou por resultar certamente molesto foi o de evitar autores galegos vivos porque resultam muito mais próximos e acessíveis (além de evitarmo-nos muitos problemas com os direitos de autor). Uma exceção foi Xosé Lois García a quem queríamos homenagear pelo seu trabalho de difusão da literatura lusófona, além da qualidade dos seus poemas.

P: Que dificuldades se apresentaram na hora de procurar os poemas? Quais foram as dificuldades?

R: Temos que diferenciar a procura de poemas da Galiza, Portugal ou Brasil do resto dos países lusófonos. A publicação da literatura infantil dentro do primeiro grupo está assentada relativamente e resulta fácil aceder a ela, mas não acontece o mesmo no segundo caso, e mais na distância e com a Internet como via principal de aceso. Fora de Internet procuramos em bibliotecas galegas e portuguesas especializadas.

P: Houve algum tipo de surpresa no processo de procura?

R: O conhecimento da obra de vários autores como Sylvia Orthof, Ruy Duarte de Carvalho, José Fanha, Cecília Meireles, Sidónio Muralha, Luísa Ducla Soares, Jorge Barbosa, entre outros.

Foi muito encorajante a recetividade dos autores com que contactámos (Luísa Ducla Soares, José Fanha e Xosé Lois García) e a ajuda e os ânimos das pessoas com que consultámos (Felisa Rodríguez Prado ou José António Gomes). Houve também uma surpresa a nível pessoal, os dous editores conhecemo-nos graças a este projeto e fizemos uma amizade muito linda.

P: De todos os poemas que recolhe Poemas no Faiado, quais destacaríeis?

Xemma: Gosto de qualquer um dos poemas de tradição oral e especialmente de “Quero um cavalo de várias cores” do Reinaldo Ferreira.

José Antom: coincido com a Xemma no dos poemas populares mas também gosto muito dos autores que referimos como surpresas.

P: Algumas pessoas pensam que poesia está ligada à idade adulta, se calhar à adolescência. É claro que vós não sois dessa opinião.

R: Achamos que a poesia sempre tem uma componente de jogo, de jogo com a língua, com a perceção da realidade, com o que se diz mas sobretudo com o que não se diz. Por isso, cremos que é um tipo de texto ótimo para crianças.

 

+ Ligações relacionadas:

Poemas no faiado.

 

PGL

 

Entrevista aos editores de Poemas no Faiado, Xemma Fernández e José Antom Serém

 

1. Poemas no Faiado apresenta como subtítulo: Antologia de poesia lusófona para crianças. Como surgiu a ideia de editar um livro destas caraterísticas. Que vos motivou a o fazer?

 

1. Juntaram-se diferentes causas; em especial, a gente achegada começou a ter crianças e vimos que não havia muitos livros do género; não havia uma antologia da poesia da lusofonia para as crianças galegas e também não gostávamos das portuguesas. Por outra banda, na Galiza sim há um bom trabalho de livro infantil, sobretudo em contos ilustrados, mas não em poesia.

 

2. Poemas no faiado não é simplesmente uma recolha de poemas. Estes aparecem categorizados em prateleiras. Em que consiste esta subdivisão e que a motivou?

 

2.Queríamos incluir autores clássicos, mesmo que os poemas não estiveram escritos especificamente para crianças e tentar incluir poemas de todos os países da lusofonia. Isto era um problema porque o material que juntávamos era muito heterogéneo quanto a temática, estilo, dificuldade de leitura, etc. Finalmente decidimos que a heterogeneidade poderia ser ótima se encontrássemos qualquer forma de organizá-la minimamente.O primeiro critério foi a dificuldade de leitura dos poemas e as idades para as que podiam ser interessantes; por isso a divisão em dois grupos: prateleira de baixo (para menor idade) e prateleira de cima (para graúdos e graúdas). Depois pensamos em subdivisões, mas como o critério temático era inviável, consideramos a ideia de fazer uma pequena poética para crianças. Na prateleira de baixo temos grupos de poemas baseados na rima e nas repetições (caixa dos espelhos), no ritmo e nos sons (caixa dos sons), nas estruturas paralelísticas (caixa dos círculos), nas séries (caixa dos cadeados), nas imagens (caixa das cores) e, além disto um grupo de poemas-jogo e poemas-piada (caixa dos jogos) e cantigas de berço (caixa do sono) por serem dois grupos muito presentes na poesia infantil. Na prateleira de cima, a organização está mais relacionada com os tipos de texto: poemas descritivos (a caixa das fotografias), narrativos (a caixa das historias), apóstrofes líricas (a caixa das chamadas) e poemas de maior complexidade argumentativa (caixa das reflexões).

 

3. Na hora de fazer uma seleção, é preciso que exista um protocolo que marque as escolhas. É o caso?

 

3. Mais que protocolo tivemos alguns princípios: a qualidade dos poemas, avaliar quanto de interessante poderiam ser para as crianças e a variedade geográfica dentro da lusofonia. Mas, o verdadeiramente definitivo foi que nós gostássemos. Neste sentido é uma seleção inteiramente subjetiva e que gostamos imenso de fazer e de presentar.

Um critério que acabou por resultar certamente molesto foi o de evitar autores galegos vivos porque resultam muito mais próximos e acessíveis (além de evitarmo-nos muitos problemas com os direitos de autor). Uma exceção foi Xosé Lois García a quem queríamos homenagear pelo seu trabalho de difusão da literatura lusófona, além da qualidade dos seus poemas.

 

4. Que dificuldades se apresentaram na hora de procurar os poemas? Quais foram as dificuldades?

 

4. Temos que diferenciar a procura de poemas da Galiza, Portugal ou Brasil do resto dos países lusófonos. A publicação da literatura infantil dentro do primeiro grupo está assentada relativamente e resulta fácil aceder a ela, mas não acontece o mesmo no segundo caso, e mais na distância e com a Internet como via principal de aceso. Fora de Internet procuramos em bibliotecas galegas e portuguesas especializadas.

 

5. Houve algum tipo de surpresa no processo de procura?

 

5. O conhecimento da obra de vários autores como Sylvia Orthof, Ruy Duarte de Carvalho, José Fanha, Cecília Meireles, Sidónio Muralha, Luísa Ducla Soares, Jorge Barbosa, entre outros.

Foi muito encorajante a recetividade dos autores com que contactámos (Luísa Ducla Soares, José Fanha e Xosé Lois García) e a ajuda e os ânimos das pessoas com que consultámos (Felisa Rodríguez Prado ou José António Gomes).

Houve também uma surpresa a nível pessoal, os dous editores conhecemo-nos graças a este projeto e fizemos uma amizade muito linda.

 

6. De todos os poemas que recolhe Poemas no Faiado, quais destacaríeis?

 

  1. A Xemma: Gosto de qualquer um dos poemas de tradição oral e especialmente de “Quero um cavalo de várias cores” do Reinaldo Ferreira. O José Antóm: coincido com a Xemma no dos poemas populares mas também gosto muito dos autores que referimos como surpresas.

  2. 7. Algumas pessoas pensam que poesia está ligada à idade adulta, se calhar à adolescência. É claro que vós não sois dessa opinião.

 

7. Achamos que a poesia sempre tem uma componente de jogo, de jogo com a língua, com a perceção da realidade, com o que se diz mas sobretudo com o que não se diz. Por isso, cremos que é um tipo de texto ótimo para crianças.