Celso Álvarez Cáccamo: «Eu, pessoalmente, não conjugo o verbo 'normalizar', mas naturalizar»

«Não concordo com as teses linguísticas 'nacionalistas' que falam na 'resistência épica' do galego durante séculos»

Quarta, 12 Novembro 2008 10:53

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Celso Álvarez Cáccamo

PGL - O portal soberanista galizalivre.org publicou ontem umha alargada entrevista ao sociolingüista Celso Álvarez Cáccamo. O professor da Universidade da Corunha reflecte sobre determinados assuntos relacionados com a Língua na Galiza e defende a AGLP como ponto de referência.

Entre algumhas das suas reflexons, destacam a sua defesa da tese de que a 'resistência épica' e ideologizada do galego só podemos considerá-la como tal em certos sectores a partir do século XIX, mas nunca durante os séculos anteriores em que a língua sobreviveu «porque os seus usos estavam confinados praticamente a certos domínios, atividades e estruturas sociais: comunicação familiar entre redes 'fechadas' do mundo rural ou marinheiro, etc».

Ainda, Celso Álvarez Cáccamo considera que o facto de grande parte do independentismo galego praticar a norma AGAL e nom o padrom português «deve entender-se em relação não ao ideal do soberanismo ou da independencia, mas à 'congelação' discursiva duma relação aparentemente intocável entre o 'próprio' nacional e o 'próprio' linguístico».

Igualmente, afirma que «o outro argumento que empregam os defensores da proposta AGAL, idêntico ao do independentismo que utiliza a norma RAG, é que a gente não se 'identifica' com a norma portuguesa unificada». E a seguir explica que «a gente também não se 'identifica' nem com as outras normas, porque, à partida, não se identifica com que o seu galego oral deva ser escrito na sociedade galega moderna (com todas as consequências), quando para termos uma Língua (uma Lengua) já existe o espanol».

Para o professor da Universidade da Corunha «o único independentismo que harmoniza o linguístico com o político, é o que propõe o uso duma norma escrita internacional unificada, precisamente porque esta proposta não está determinada polo poder exercido por instituições políticas e culturais 'alheias' (de Portugal ou do Brasil) sobre a língua da Galiza: o uso do padrão ortográfico internacional na Galiza é totalmente independente do que imponha o poder espanhol ou das pressões do poder português». Falando nisso destaca que agora existe umha instituiçom própria que visa criar Língua e pesquisa sobre a língua, a Academia Galega da Língua Portuguesa.

Por outro lado, Celso Álvarez Cáccamo defende que na vez de 'normalizar' é preciso 'naturalizar' a língua, o que envolve umha desideologizaçom por alguns lados e uma ideologizaçom por outros. Ainda, reflecte sobre o Dia das Letras dedicado ao seu pai, Xosé María Álvarez Blázquez, e sobre a importáncia de meios como o Novas da Galiza ou o próprio galizalivre.org.

 

+ Conferir entrevista na íntegra: