Entrevista a Noemi Pinheira, coordenadora do II Português Perto

Sexta, 04 Maio 2012 07:54

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PGL - Noemi Pinheira é coordenadora do II Português Perto. Aquelas nossas músicas. Em entrevista para o Portal, explica as características do festival e o que as pessoas que se aproximarem podem encontrar.

 

A primeira edição de Português Perto deixou tão bom sabor de boca que sentistes a necessidade de repetir a experiência?

Correu muito bem. En princípio ía ser um ciclo de atividades lusófonas na faculdade de Empresariais e Turismo, mas desde o Vice-Decanato consideraram mais interesante fazer algo ambicioso, dirigido a toda a comunidade universitária. Por isso, propuseram ir com o projeto à Secretaria de Atividades Culturais da Vice-Reitoria. Filemón Rivas, a pessoa encarregada, gostou do programa e organizámos o festival. No primeiro dia, estiveram Aline Frazão, Uxia e Sérgio Tannus; e no segundo, Ugia Pedreira e Fred Martins. Foi um sucesso, por volta de 250 pessoas cada dia, o público gostou e também as artistas e os artistas. Por isto, da Vice-Reitoria do Campus de Ourense decidiu-se que teríamos uma segunda edição, com mais atividades e um maior orçamento.

Este ano o festival vai ser quatro dias, de 7 a 11 de maio, com três concertos, uma sessão de conta-contos e dous ateliês. Entre as/os artistas contamos com Carlos Blanco, Narf, Aline Frazão, Sérgio Tannus, Sandra Diéguez e os Andarilhos. Acrescentar também que este ano faremos, como em muitos lugares da Galiza, uma homenagem ao Zeca Afonso com a colaboração especial de Terra Morena.

Qual o objetivo de Português Perto, por que se faz?

O Português Perto nasce para aproximar a cultura lusófona ao público universitário e o de Ourense em geral, para que sintam a Lusofonia como lugar próprio da cultura galega. Para mostrar aquele nosso mundo linguístico e cultural por onde nos podemos mover; para mostrar que, como galegas e galegos, podemos aceder à produção artística, musical ou cultural de Brasil, Angola, Portugal, Moçambique, Cabo Verde... de mais de 230 milhões de pessoas. Ainda, para o público ver que, com a sua língua, tem um horizonte cultural e linguístico muito mais amplo, para tentar quebrar os preconceitos e fronteiras que a maioria das pessoas colocam, e conseguir que sejam conscientes do mundo de possibilidades que esta via abre.

A cidadania galega tem as portas da Lusofonia abertas. Que é preciso para as cruzarem?

Acho que nas pessoas tem-se que ativar qualquer coisa, que sejam capazes de romper fronteiras mentais, que vejam que um português, uma angolana, uma brasileira ou um moçambicano, que ele ou ela falam a mesma língua e, quando forem conscientes disto, atravessarão a porta. Para que isto aconteça, temos que normalizar a Lusofonia, temos que conseguir que as pessoas vejam que não têm apenas o mundo cultural hispanófono, promovido por e em todos os meios, que existe também o mundo cultural lusófono, que não só podem aceder à música, à literatura ou ao teatro em castelhano, também há um mundo em português.

Deveríamos ter Jornadas da Lusofonia e Festivais em todas as Universidades e Centros de ensino, assim como em todas as cidades e vilas. Levamos muito tempo organizando estes festivais e jornadas: o MDL, com as Jornadas da Língua em Compostela, a Galiza Lusófona em Ourense ou a Festa da Língua de Ponte Vedra; os centros sociais, com o Festival Em Movimento com duas edições em Oleiros e Ourense; o Festival de Poesia de Salvaterra; os Cantos na Maré em Ponte Vedra... E ainda estão na moda. Necessitamos festivais que reforcem e normalizem a Lusofonia na Galiza, festivais como o «Português Perto. Aquelas nossas músicas»  em Ourense ou o éMundial, que este ano vai ser em Vigo, e outro tipo de atividades como os Ops ou os Cacimbos nos centros de ensino.

A música chega aonde não a palavra escrita, não é?

Sempre. Com a música chegas a qualquer lugar. Muitas vezes, basta com que alguém escute uma música em português para reparar em que está a ouvir uma canção na sua língua.

O Português Perto tem o apoio central da Vice-Reitoria do Campus de Ourense - Universidade de Vigo. Desfrutaremos de uma terceira edição?

Eu espero bem que sim, já falámos de possíveis atividades para o próximo ano. Esperamos que a Vice- reitoria do Campus de Ourense conte connosco, com a AGAL e a Pró-AGLP para a organização da próxima edição do Português Perto. «Aquelas Nossas Músicas» e continuar a normalizar a lusofonia na cidade com esta e outras atividades.