Santiago Lago: «Cada vez mais empresários galegos encontram no Brasil um crescente mercado para os seus produtos e um espaço de abastecimento»

«Existe certa rejeiçom e sentimento de superioridade sobre o português, e também ignorância do seu potencial. A Junta da Galiza só reflete a perceçom míope da sociedade»

Quinta, 24 Maio 2012 07:55

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Santiago Lago é professor da Universidade de Vigo

PGL / José Antom Serém - Santiago Lago (Vigo, 1971) é professor de Economia Aplicada na Universidade de Vigo, sendo algumhas das suas especialidades a fazenda local e o federalismo fiscal. É, aliás, autor de numerosos estudos sobre diferentes aspetos, também os sociais, da economia galega.

Que vantagens temos os galegos e as galegas dentro da Península em termos económicos e culturais?

Além das vantagens do bilingüismo que estám a ser demonstradas por estudos científicos, os galegos, diante de bascos ou cataláns, temos a vantagem de que a nossa língua é irmá do português. Isso permite-nos aceder a muitos mais espaços sociais e económicos. Aliás, a língua própria fornece-nos, neste tempo de globalizaçom e homogeneizaçom cultural que estamos a viver, sinais de identidade que nos diferenciam dos demais.

O empresariado galego tem em foco a Lusofonia, nomeadamente o Brasil?

Há dez anos nom. Hoje, com certeza sim. Cada dia, mais empresários galegos de diferentes setores encontram no Brasil nom apenas um crescente mercado para os seus produtos, mas também um espaço de abastecimento.

Pode ser a lusofonia um campo de atuaçom ao mesmo nível que a hispanofonia?

Sendo objetivos, nom é tam abrangente, mas é certo que o Brasil fai parte de umha das economias emergentes mais grandes do mundo junto com a Índia, a China e a Rússia, com taxas de crescimento muito elevadas. Botando um olho para o panorama da Europa, Brasil é mesmo atraente.

Como se vê nos seus círculos profissionais a conexom com a lusofonia e a importância do português como língua internacional?

É umha conexom que é mais valorada quanto mais viaja a gente. Contudo, fica muito por andar.

Como funcionou a Euro-regiom desde a sua eclosom? Que plano de atuaçons deveriam ser desenvolvidos para colmatar o seu potencial?

A conexom Galiza-Norte de Portugal é a mais forte das relaçons que existem entre o Estado Espanhol e Portugal; contudo, vai devagar. É fundamental referir o capital relacional na sua etapa de formaçom universitária. Que os alunos galegos tenham possibilidade de cursarem algum quadrimestre ou ano ali e vice-versa, deveria ser norma e nom exceçom. Cumpre potenciar programas de bolsas de  mobilidade inter-regional e o desenho de pós-graus que ofereçam dupla titulaçom, a ambos os  lados da fronteira.

Como deveria ser conetada a cidade de Vigo com Porto ou ainda Verim com Chaves?

A conexom Verim-Chaves tem de ser por autoestrada. Em Vigo-Porto há que colocar um novo caminho-de-ferro. Há anos codirigim o estudo de impacte económico desta infraestrutura e os efeitos eram mui importantes, sobretudo quando incorporávamos o tráfego de mercadorias. Os estudos de impacte da UE confirmam este resultado.

Guiné Equatorial aspira a fazer parte da CPLP onde já tem o estatuto de observador. Galiza, localidade onde nasceu a língua portuguesa, nom alcança esse patamar. O governo galego atual, bem como as anteriores, denotam falta de visom ao nom dar os passos precisos para a Galiza fazer parte da CPLP? Por outra parte, num recente artigo afirmava que o português deveria ser ensinado no secundário para criar umha passadeira que permitisse transitar do galego para o português. Por que acha que a Conselharia da Educaçom atual (ou as anteriores) nom aproveita esta nossa vantagem?

Acho que a resposta à primeira e à segunda parte da pergunta som, em essência, a mesma. Nom som experto sociolingüista, mas acho que existe certa rejeiçom e sentimento de superioridade sobre o português, e também ignorância do seu potencial. A Junta da Galiza nom fai senom refletir a perceçom míope da própria sociedade galega no seu conjunto. Contudo, já tenho dito que é umha pergunta para um sociólogo e um estudo de campo. Também é possível que seja o medo a pensar que o galego tem as de perder no caso de achegarmos o português. Com certeza, eu ficaria contente de que meus filhos tivessem essa oportunidade no ensino secundário.

A nível prático, que vantagens considera que implica para um cidadao galego a aprendizagem do português?

As vantagens som evidentes. A inclusom de um dos idiomas mais falados do mundo no currículo dos estudantes galegos, duas línguas comunitárias (castelhano e português). Isto é, capacidade lingüistica total na América do Sul e na Península.