Quadrinhos (I): Mincinho

Terça, 19 Março 2013 09:56

Atençom, abrirá numha nova janela. PDFVersom para impressomEnviar por E-mail
Engadir a del.icio.us Compartilhar no Twitter Compartilhar no Chuza Compartilhar no Facebook Compartilhar no DoMelhor

PGL – Iniciamos umha série de conversas com profissionais do que muitas vezes se chama, por convencionalismo, humor gráfico. Gráfico é, com certeza, pois usa fundamentalmente essa expressom, complementada habitualmente por texto. Mas nem sempre «humor» é necessariamente rir, ou só rir, mas pensar. Um exemplo é o primeiro protagonista, Mincinho.

Colaborador de publicaçons como Praza Pública ou o Novas da Galiza, sob o nome de guerra Mincinho está um autor cujos trabalhos, além de nos ajudarem a esboçar um sorriso —por vezes— ou rir a gargalhadas —noutra—, sempre logram fazer-nos pensar, graças ao humor corrosivo que utiliza com freqüência. Temos muitos exemplos disto no seu blogue, no qual recompila muitos dos seus trabalhos, a maioria inéditos. Um exemplo: duas pessoas, uma de lado da outra, e um só grito “Viva a república”, ao qual apostilam, por separado, “galega” ou “espanhola”.

O humor e o que se deu em chamar ludo-reintegracionismo foi um dos fatores do avanço social que experimentárom as teses reintegracionistas na última década. O que acha Mincinho dos trabalhos humorísticos que se estám a fazer dentro do reintegracionismo? «Tudo muito fixe» e «legal» som o resumo do artista.

Na maioria destes trabalhos, «a gente fala de si em terceira pessoa». É o caso, por exemplo, dos que se podem ver no seu blogue: «fotos de Mincinho. Isto é, feitas por Mincinho. Não é que saia Mincinho nelas, ainda que nalgumhas sai».
Mincinho, ou mincinho —«melhor em minúscula, sou assim de modesto»— é contundente acerca da função do humorista numha situaçom como a atual, de crise económica: «comer». A mesma contundência exibe ao se referir ao papel do humor na sociedade: «fazer rir». Poder comer e poder rir podem parecer questons banais para a maioria das pessoas, mas em momentos de crise convertem-se em tarefa titânica para cada vez mais cidadaos a cada dia que passa.

[Prima aqui para alargar a imagem]

Atualmente «no exílio», Mincinho observa o humor galego com outra perspetiva:

Na Galiza, as pessoas rimos doutras galegas». Por exemplo, umha galega castelhano-falante rirá de umha galego-falante, por pailá, inculta, aldeá... Mesmo pode rir de umha galega castelhano-falante da qual pensa que tem sotaque galego ‘de mais’. Mas nom rirá do sotaque em si que, em geral, temos as galegas ao falarmos castelhano, porque sabe que ela mesma nom pode evitar tê-lo.

Há uma página de facebook, com muitas mais fans que a do Mincinho chamada ‘Acento gallego’, a qual tem como filosofia básica «já conseguimos deixar de falar galego, mas nom nos podemos permitir pagar um logopeda para tirar de riba este demo de sotaque, como fijo Jesús Vázquez [cosnelheiro da Cultura e Educaçom da Junta da Galiza], assim que, enquanto nom o dermos solucionado, quem rir de nós levará por isso umhas hóstias». Eu, quiçá por ser a minha mae estrangeira, nom tenho esse defeito e bem poderia rir de mim próprio, se houver algum motivo. Mas nom há tal.

Finalizamos a conversa com Mincinho perguntando-o acerca da fotografia lingüística da Galiza de 2020: como gostarias que fosse? A resposta é umha síntese dos princípios do autor: «Feita por mincinho em troca de umha módica quantidade a introduzir num envelope».