Sem um Cam: novo centro social em Ourense

Está localizado na Rua do Vilar e caracterizará-se pola promoçom de alternativas ao consumismo

Sábado, 24 Janeiro 2009 07:00

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Festa de apresentaçom do novo centro social ourensano

PGL - A cidade de Ourense está de parabéns porque em pouco tempo virá a contar com um mais um centro social, o Sem um Cam, localizado na Rua do Vilar. Por enquanto, o grupo promotor só procedeu à apresentaçom do projecto mediante um jantar popular, mas calculam que numhas duas semanas já estarám em condiçons de abrirem as portas.

Por trás do projecto está um colectivo heterogéneo com o mesmo nome, os anti-consumistas Sem um Cam, um projecto anti-capitalista que centra a sua actividade no combate às relaçons mercantilistas e de consumo e na sua substituiçom por relaçons de solidariedade e comunidade. Ligado com isto, A cousateca e o comedor popular prometem ser algumhas das suas propostas estrela. Do Portal Galego da Língua contactamo-los para conhecer em detalhe o seu projecto de local social.

 

— Em 18 de Janeiro procedestes à apresentaçom do local mediante um jantar popular. Quanto tardareis em 'inaugurá-lo' oficialmente?

O que figemos foi umha apresentaçom do projecto para o bairro no que se vai desenvolver. Também pretendemos arrecadar fundos para o investimento inicial que implica a abertura, e a verdade é que ficamos mui contentes porque conseguimos as duas cousas. Já contamos com local, mas este ainda nom está em condiçons de abrir. Calculamos que arrumá-lo e prepará-lo nos levará ainda um par de semanas, polo que calculamos a abertura ao público do Sem um Cam para o mês de Fevereiro.

— Donde surgiu a ideia de promover mais um centro social para Ourense?

A ideia do Sem um Cam surge da combinaçom de dous factores. Dumha banda, da impossibilidade de desenvolver em outro espaço o projecto anti-consumista que desejamos. De outra banda, o projecto nasce mui ligado ao bairro no qual se inscreve (a parte do casco velho que está entre a Praça Maior e o Jardim do Possio, umha zona habitada maioritariamente por pessoas com poucos recursos), e à vontade de ensaiar lá umha forma de relacionamento social nom mediado pola mercadoria e o consumo.

— Qual é o ideário de "Sem um Cam"?

O Sem um Cam é um projecto galego e anti-capitalista que centra a sua actividade no combate às relaçons mercantilistas e de consumo e na sua substituiçom por relaçons de solidariedade e comunidade. Além disto, e citando o documento fundacional do Sem um Cam, o projecto «quer ser mais umha peça na construçom de umha Galiza livre e independente de todo poder que nom seja o das mulheres e homens que a conformam, a começar polas comunidades que habitam e se organizam nos seus bairros e nas suas paróquias. Sem um cam, em último termo, gostaria de contribuir a fazer mais possível a substituiçom do estado espanhol e do capitalismo por umha comunidade organizada de pessoas solidárias, livres e conscientes».

Por último, Sem um Cam é um projecto plenamente identificado com a nossa naçom e a sua língua, polo que a defesa e promoçom do galego também se encontram entre os seus objectivos. Achamos, de facto, que o Centro Social pode fazer neste aspecto um trabalho bem interessante, ao inserir-se num bairro com umha percentagem muito elevada de populaçom imigrante.

— No local haverá umha cousateca e um comedor popular. Explicai-nos um pouco mais em que consistem e como funcionariam.

Umha Cousateca é como umha biblioteca na qual, em vez de livros, se emprestam todo tipo de cousas. Igual que os livros, há um monte de cousas que só utilizamos por um período curto de tempo ou de quando em vez, e que por tanto nom deveria ser necessário que comprássemos individualmente para poder desfrutá-las. Jogos, material desportivo, ferramentas, cousas de campismo, roupa de gala, umha videocámara, umha ola a pressom, disfarces...a listagem pode ser imensa.  E da mesma maneira que as bibliotecas ponhem ao alcanço de todo o mundo a literatura e o conhecimento sem necessidade de que cada quem tenha que comprar as obras, umha Cousateca pode pôr ao serviço dumha comunidade muitas cousas que nom poderíamos utilizar se tivéssemos que comprar. O funcionamento é exactamente igual que o de umha biblioteca, só que em vez de pedir emprestada umha novela, no Sem um Cam pedirás emprestado um taladro para fazer umha obra ou umha mochila para ires ao monte.

O Comedor Popular quer contribuir a fazer colectiva, barata e de qualidade umha actividade fundamental como é o jantar, que cada vez é mais individual e dependente da comida industrial e da TV acessa. Som muitos os aspectos sociais implicados na forma em que jantamos, desde a procedência dos alimentos até a individualizaçom e o isolamento das pessoas, passando pola sobre-carga de trabalho nas mulheres, e som esses os motivos polos que desde Sem um Cam queremos tentar comer de outra maneira. O Comedor Popular organiza-se como um colectivo aberto de pessoas que organiza e realiza em comum o seu jantar, poupando custos económicos e partilhando trabalho e companhia. Começará funcionando dous ou três dias à semana, e ampliará a sua actividade a mais dias segundo as necessidades e as possibilidades do colectivo.

— Vindes já a trabalhar com outros colectivos ourensanos? Se for assim, quais?

A associaçom nasceu há mui pouco tempo, polo que ainda nom tivo quase actividade nem possibilidade de colaboraçom com outros colectivos. Contudo, o movimento associativo ourensano é pequeno, polo que as pessoas que confluímos no Sem um Cam partilhamos actividade em outras iniciativas, que desta maneira rematam por ligar-se dalgumha maneira ao centro social. Como exemplo, a totalidade das pessoas que participam no grupo de Guerrilha Teatral 'Maus Modos' fam parte do colectivo que impulsiona Sem um Cam, o qual levou a que estas pessoas figessem este Natal a acçom anti-consumista do Centro Comercial (semelhante à que já tinham realizado no ano passado) como apresentaçom pública do novo projecto.

Em qualquer caso, Sem um Cam afirma nos seus príncipios que o local estará aberto e disponível para todos aqueles colectivos que partilhem os valores que definem o projecto.

— Qual é o público-alvo das vossas acçons?

Sem um Cam quer ser um projecto muito inserido no seu bairro, e portanto aspira a ser um serviço principalmente para as pessoas que moram nele ou nos seus arredores. Gostaríamos de que o nosso projecto fosse umha resposta para toda aquela gente que vive de forma opressiva as dinámicas de trabalho e consumo que impom a sociedade de mercado.

Contudo, os valores que defendemos sustentam umha forma de entender a sociedade, o país e o mundo que gostaríamos de poder partilhar com todo o tipo de pessoas, a começar pola nossa cidade e a nossa comarca.

— Existe espaço em Ourense para dous projectos?

Sim, por várias razons. Como Sem um Cam nom é um projecto comercial, nom compite por nengumha quota de mercado nem nada parecido. A concorrência pode existir quando as necessidades económicas que impom um aluguer caro ou umha pessoa assalariada exigem um determinado nível de consumo por parte de umha clientela determinada, mas nós nascemos com a intençom de nom ter nem um só cliente.

A filosofia dos dous projectos que podem representar A Esmorga e o Sem um Cam som bem distintas, e por tanto pefeitamente compatíveis. Em qualquer caso, o nosso desejo seria que existisse umha Cousateca e um Comedor Popular em cada bairro e em cada paróquia do país!

— Como podem as pessoas colaborar ou associarem-se a Sem um Cam?

 Quando o local estiver aberto, é só passar por ali. No entanto, o nosso endereço de contacto é semumcam[arroba]gmail.com.

 

 

 

Festa de apresentaçom do novo centro social ourensano no passado dia 18 de Janeiro
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