Afonso Mendes Souto, professor do curso on-line Escrever com NH

"O curso recomendo-o a toda galega ou galego que se queira aproveitar desta condiçom, porque ser galega/o, longe do que nos querem fazer crer tem vantagens. Também lho recomendo àquelas pessoas que escrevem com a grafia histórica e querem melhorar"

Segunda, 30 Setembro 2013 00:00

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PGL- Afonso Mendes Souto é o professor do curso Escrever com NH, curso on-line organizado pola AGAL que já vai pela quinta ediçom. A entrevista foi elaborada por Carme Saborido, professora do curso Falarmos Brasil.

Afonso Mendes Souto é um corunhês licenciado em Filologia galega. Hoje é um trabalhador freelance que exerce de lingüista profissional como tradutor, corretor, professor e assessor lingüístico para televisom. É sócio da AGAL, ativista do CS Gomes Gaioso e militante da esquerda independentista desde há mais de umha década. Para além do trabalho setorial que tem realizado com cada organizaçom em que militou o seu labor sempre estivo ligado muito especialmente à questom lingüística. Nos últimos anos tem elaborado artigos de opiniom sobre língua ou cinema para o Portal Galego da Língua, Diário Liberdade ou o jornal comunista Abrente.

Levas várias edições a administrar este curso. Como está a ser a experiência?

Positiva para as pessoas que participam dele e também para mim, é um prazer conversar e orientar sobre as ferramentas que fam melhorar o galego, que dam critério sobre escolhas idiomáticas, que contribuem a adquirir competências lingüísticas , etc.

Quando as pessoas que participam do curso som recetivas, que por enquanto foi 99% dos casos, a experiência é umha maravilha.

Por que achas necessário Escrever com NH?

Primeiro, porque é a grafia histórica e por conseqüência o justo em termos de história da língua. Falamos no mais próximo a umha expressom escrita autóctone de nom se terem dado ingerências de culturas externas.

Segundo, porque a estratégia “oficial”, a galego-castelhana está a levar o idioma à sua disoluçom no espanhol.

Terceiro, porque a estratégia galego-portuguesa para além de frear a tendência espanholizadora liga-nos com o que é a extensom mais natural da nossa cultura no mundo, a lusofonia. As geraçons atuais sabemos o espanhol e dispomos das vantagens que nos pode dar nos países em que se fala, aprender a nossa grafia histórica e internacional para fazer o próprio com a lusofonia está na hora.

Que conteúdos pode aprender um aluno/a?

Sempre digo ao estudantado que o programa nom é a meta, mas umha ferramenta da que partir, um companheiro de viagem ao que consultar sempre que tenhamos dúvidas. A ideia é mostrar como em todo o momento se podem desmascarar expressons, léxico e qualquer elemento foráneo ao galego. Também há umha importante parte de conteúdos sócio-culturais da lusofonia. No curso dá-se muita informaçom prática, nom só gramatical.

Qual é o perfil dos alunos/as?

A turma sempre tem perfil diverso. Algum/ha aluna/o achega-se ao curso porque tem claro o que quer, que é aprender a escrever o melhor possível e deixar de dar reviravoltas na escrita, outras pessoas venhem experimentar o que é isso do galego-português e outras simplesmente venhem fazer um curso porque chegou a elas a informaçom e tenhem tempo para realizá-lo e nada contra. Em qualquer caso todas as alunas e alunos sempre parecem ter algum tipo de contacto com os movimentos sociais, direta ou indiretamente, já que como o reintegracionismo, som propostas alternativas ao estabelecido. Também o preço nom se pode dizer que seja elevado e isso ajuda.

O que te dizem ao acabar o curso?

Ao finalizar sempre fico satisfeito com as avaliaçons que lhes pido para melhorar. À turma o tempo sabe-lhe a pouco, essa é a principal crítica que fam e eu sempre o tomo como o um “piropo”. Depois, quem se achegou para aprender a escrever bem sai contente porque deu com as ferramentas necessárias para consegui-lo.  Quem veu por ver que é isso do galego-português também sai contente porque se lhe explicou e de passagem o curso tem umha amostra de conteúdos sócio-culturais sobre os países da lusofonia, principalemnte Portugal e o Brasil, polo que enquanto se dam conta estám a mergulhar-se, graças ao galego, na cultura doutros países que, se nom era assim já, acabam por sentir próximos.

Achas que este curso ajuda a melhorar atitudes com a língua?

O estudantado que participou dele sempre mostrou ter umha atitude boa face à língua. Mas acho que sim é umha ferramenta útil para isso, caso alguém queira conhecer a estratégia galego-portuguesa de dentro quando nom a partilha.

A quem recomendarias este Escrever com NH?

O curso recomendo-o a toda galega ou galego que se queira aproveitar desta condiçom, porque ser galega/o, longe do que nos querem fazer crer tem vantagens. Também lho recomendo àquelas pessoas que escrevem com a grafia histórica e querem melhorar.

O curso apenas dura 40 dias e estou certo que com dedicar entre 5-10 horas à semana, dependendo da/o aluna/o, se pode tirar proveito dele.

No entanto, há um setor a quem lho quero recomendar muito especialmente. Há muitas pessoas no País que dam exemplo com o seu voluntarismo nos movimentos sociais ou em organizaçons políticas. Estas pessoas som o motor da sociedade que tenta mudar a realidade da Galiza projetos alternativos e também por extensom da realidade lingüística. Há décadas que a estratégia galego-portuguesa está assumida de forma contínua em muitos destes projetos sócio-políticos. Aliás, o que se passa é que continuamos a cometer muitos erros na escrita. Há anos que corrijo textos do independentismo e nom só deteto umha qualidade melhorável neles, senom que há pessoas que tenhem os mesmos erros que em 2002, por exemplo. É impensável que um dirigente de esquerda em Berlim, Paris ou Lisboa tenha muitos erros na escrita, nom seria sério nem real. É claro, portanto, que aqui a realidade é outra, mas no sentido em que somos por subvertê-la também há que ter esta atitude com a língua. O motivo principal é que nom se pode deixar esta tarefa em maos das e dos corretores. Esta é umha figura que deveria diminuir aos poucos, do mesmo jeito que está mal visto que sempre abra o centro social a mesma voluntária ou que sempre faga um esforço económico para umha campanha o mesmo companheiro. Há muitos motivos que nos levam a agir assim, mas este curso serve em boa medida para mudar esta realidade de um ponto de vista coletivo e individual, fornecendo as ferramentas necessárias para esta complexa mas fatível e necessária tarefa. Escrever bem dignifica o galego e a Galiza.