Galizalivre.org entrevista presidente da AGAL, Valentim R. Fagim

«Para nós, a missom da AGAL, o seu ser social, é a expansom do reintegracionismo. Um objectivo global é que a associaçom ganhe em releváncia social»

Sábado, 13 Junho 2009 16:14

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Valentim R. Fagim

PGL - O portal soberanista galizalivre.org vem de publicar umha entrevista ao quinto presidente na história da AGAL, Valentim R. Fagim, que ocupa o cargo desde o 6 de junho.

Oferecemos, a seguir, a referida entrevista:

 

O passado 6 de Junho a veterana Associaçom Galega da Língua escolheu novo conselho. Nele, Valentim R. Fagim converte-se na quinta pessoa em assumir a Presidência da AGAL relevando a Alexandre Banhos. Nado em Vigo no 1971 é mui conhecido polo seu activismo em numerosíssimos projectos normalizadores em todo o país, entre os que podemos destacar o seu trabalho na Comissom Linguística da AGAL, na recente AGLP, gestor de muitos dos recursos informáticos do PGL (de dicionários a jogos como Planeta NH), fundaçom da Livraria A Palavra Perduda, etc.

Galizalivre - Durante polo menos quatro anos estará você à frente da Associaçom Galega da Língua. Quais som as suas linhas estratégicas de actuaçom?

Valentim R. Fagim - O nosso programa está disponível em: http://pt-gz.org/candidatura/ O facto de o elaborar e o disponibilizar em aberto dá fé da nossa atitude.

Para nós, a missom da Agal, o seu ser social, é a expansom do reintegracionismo. Um objectivo global é que a associaçom ganhe em releváncia social.

Para levar isto avante, dividimos em 6 áreas de trabalho a nossa acçom. Para além das já existentes, Editora, Agália e PGL-Internet, criamos mais três: Expansom do Reintegracionismo, Difusom da Lusofonia na Galiza e Relacionamento Humano.

Os objectivos de cada umha das áreas estám no programa, mas destacaria como objectivo o chegar ao maior número possível de pessoas, tentando adequar a mensagem aos seus destinatários.

GL - A Fundaçom Artábria volve solicitar-lhe à RAG que se lhe dedique o Dia das Letras do 2010 a Carvalho Calero. Nom seria possível que o reintegracionismo encabeçado pola AGAL proponha um Dia das Letras popular sem depender das concessons de instituiçons espanholas hostis à nossa cultura?

VRF - Carvalho Calero é, como se sabe, umha personagem incómoda para o Statu Quo. Do meu ponto de vista, seria muito mais contundente e teria mais incidência umha convocatória “oficial”. Aproveitando a difusom que se daria a partir das instituiçons seria relativamente fácil elaborar actividades paralelas para mostrar o “imostrável”.

GL - A criaçom da Academia Galega da Língua Portuguesa implicou um grande passo para o reintegracionismo no nível institucional. Que relaçom terá a AGAL com ela? Assumirá-se o Acordo Ortográfico?

VRF - A AGLP está a fazer um labor internacional e institucional importantíssimo na hora de inserir a Galiza na lusofonia. A relaçom entre a Agal e a AGLP é óptima como se viu na Assembleia da República. A nossa intençom é que o continue a ser, como deve ser óptima a interacçom de todas as entidades reintegracionistas. A área de Relacionamento humano tem aí um dos seus objectivos.

Quanto ao Acordo Ortográfico, o último comunicado da Comissom Linguística, de que fago parte, anunciava umha actualizaçom da proposta ortográfica da Agal. Nom creio que demore muito a sair.

GL - Um dos pontos mais controvertidos da sua candidatura foi o da profissionalizaçom do presidente da AGAL. Crê você que há que abandonar já os formatos militantes? Nom poderia ser perigoso tornar os movimentos sociais em "gestores"?

VRF - Eu nom usaria o termo militante como negador de profissional. Ser presidente da Agal, como ser administrativa no Novas ou balconista na Gentalha ou na Esmorga, tem muito de militança para além de se receber um salário. Centrando-nos no meu caso particular, nom sei como vou explicar a meu pai que mudei o emprego de professor numha EOI por dirigir umha associaçom ;-)

Eu falaria melhor em quotas, quotas de profissionalismo e quotas de voluntarismo. Existem associaçons com voluntarismo 100% cujo ponto mais fraco é que o projecto sofre altos e baixos em funçom das energias voluntárias que o fornecem. Outro ponto fraco é que é difícil ser exigente com pessoas que oferecem o seu tempo de lazer. O triste é que muitas vezes somos superexigentes (até com nós próprios) e o pessoal acaba na casa a ver TV. Exige menos, de certeza.

Depois, existem associaçons com diferentes quotas de profissionalismo, 15%, 30%, 80%... A chave é decidir que postos som o bastante estratégicos para serem profissionalizados. A nosso ver, na Agal, som a área Informática-Internet e o coordenaçom-geral, que está sob a responsabilidade do presidente. Aí já se pode ser exigente.

GL - O que diferencia o reintegracionismo de outros sectores do movimento normalizador galego?

VRF - O reintegracionismo vai à raiz da questom. Na Galiza está a haver um processo de substituiçom linguística que se encontra numha fase muito avançada. Para frear este processo organizárom-se duas estratégias, umha galega-castelhana e outra galego-portuguesa, cada umha delas com as suas instituiçons, os seus quadros, as suas agendas e os seus objectivos.

A estratégia galego-castelhana criou um código próximo do castelhano na crença de que quanto mais fácil, melhor. O problema é que mais fácil é igual a mais dependente, e isto acaba por o tornar menos útil.

Depois, em termos “geográficos” reduziu a área galego-falante ao Estado de Espanha. Dá-se assim contradiçons difíceis de explicar como incluir entre os “nossos” um Vale da Estremadura espanhola, e marcar como “os outros”, a vila de Monção que está a 500 metros de Salvaterra.

Por fim, e eis o xis da questom, ao tornar estrangeiro o português de Portugal e do Brasil, tornou estrangeira toda a sua produçom. Resultado, todos os espaços que o galego-castelhano nom pode preencher, e som muitos, o falante médio preenche-os, espontaneamente, na única língua que domina: o castelhano. Estou a falar em Internet, ensaio, literatura estrangeira, música ou o folheto de instruçons do iPod.

Relativamente à estratégia galego-portuguesa, esta oferece um código soberano a respeito do castelhano, portanto útil. Fai da nossa língua, nom umha entidade local mas internacional e oferece ao galego-falante altas quotas de auto-suficiência. Objectivamente penso que dá mais jeito para enfrentar a susbtituiçom linguística.

GL - É possível a cooperaçom entre ambas as estratégias?

VRF - É, depende dos sectores. Existem os religiosos, mui essencialistas, que se movem com dogmas de fé e às vezes mais preocupados com o “perigo português”, do que com o castelhano, que afinal é a língua que está a substituir a nossa. Ora, existem outros sectores dentro da estratégia galego-castelhana que adirem a ela por “realismo” mas que, ao mesmo tempo, compram Conan Doyle para os miúdos na sua versão portuguesa ou fazem descargas da Net na versão brasileira. Enfim, olham o português como um complemento. Com estes sectores existem pontos em comum, portanto, com boas atitudes e empatia, a colaboraçom pode dar certo e gerar dinámicas criativas.

GL - Por último, engada o que você considere interessante ou oportuno. Obrigados/as pola sua amabilidade.

VRF - Obrigados a vós, pessoal. Afinal, a minha primeira entrevista foi precisamente neste meio, aquando o lançamento de O Galego (im)possível.

A ideia central que queria engadir é que umha parte importante da cidadania, sobretudo pessoas da minha idade e mais novas, vivem em redes sociais onde a nossa língua tem umha presença mínima, quando nom nula. É o caso da cidade onde nascim, Vigo, mas pode-se alargar a outras.

Assim sendo, temos que aplicar estratégias para quebrar essas círculos e introduzir neles, de algumha forma, a nossa língua. Neste sentido, o mais provável é que tenhamos que idear estratégias novas.

É o turno da imaginação.

 

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