Teresa Moure assina publicamente a ILP Paz-Andrade no Conservatório

Terça, 11 Dezembro 2012 00:00

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Isabel Rei - Às 19.30h da quinta-feira, 13 de dezembro de 2012, a Biblioteca do Conservatório Profissional de Compostela acolherá a assinatura pública de Teresa Moure que apoiará a Iniciativa Legislativa Popular Valentim Paz-Andrade, bem como a apresentação do seu último livro Queer-emos um mundo novo, que interpreta em chave galega o tema do queer e das falsas clasificações de género.

Teresa Moure, escritora e professora da USC, estará acompanhada da poeta, secretária da Associação Cultural Pró AGLP e titulada especialista em relações internacionais Maria Castelo Lestom, quem falará pelo miúdo da Iniciativa e ajudará a promover a adesão entre os presentes.

“teoria Queer”, uma resposta rebelde ao binarismo: há tantos géneros como indivíduos e nem sequer cada sujeito tem que permanecer instalado nessas celas toda a vida.

Queer-emos um mundo novo, p. 19

 

Queer nasce da dissidência voluntária, da insatisfação com as classes que nos asfixiam. Pode recolher pessoas inicialmente insatisfeitas com o seu corpo ou com a sua orientação mas isto não é obrigado. E, com toda probabilidade, moverá essas pessoas cara uma consciência e aceitação de si que se chamou, talvez sem muito acerto, orgulho. Porque o orgulho era um defeito na tradição moral donde vimos e aqui trata-se mais bem de reconciliar-se com a própria existência, com a própria história, com o corpo e com o ser.

Queer-emos um mundo novo, p. 117-118

 

Toda a história da defesa da língua e do reintegracionismo galego é uma crítica à pretensa normalidade criada desde os poderes institucionais espanhóis na Galiza, assumidos por uma maioria de galegos como próprios, do mesmo modo que são assumidos os roles de género convencionais ainda que não acreditemos neles. Essa passividade apática, porém, não é absoluta.

Desde o estabelecimento por parte do poder de uma ordem de mando fundamental que dizia “o galego não pode ser português”, voz que nos últimos trinta anos ordenou uma visão da língua galega contrária à sua raiz, história e etimologia, uma justa rebeldia foi sucessivamente manifestada até hoje, uma rebeldia crítica com o estabelecido como “normal” (assunção de uma ortografia estrangeira, perda dramática de falantes, desigualdade e injustiça por parte das instituições oficiais) em forma de ações grupais e individuais de todo tipo. Explica Teresa Moure no seu livro:

 

A principal aprendizagem que, pessoalmente, posso extrair da teoria queer consiste em [...] repensarmos as noções de desviação ou de normalidade.

Queer-emos um mundo novo, p. 45

 

O que é normal e o que não é em termos de género? E em termos de língua? É normal a perda sistemática de falantes? É normal a falta de coerência na codificação do idioma? Ou é produto de uma desviação academicamente controlada?

Num país em que as estruturas ortográficas predominantes silenciam a etimologia e história da língua escrita, Teresa Moure afirma que:

 

Em distintos países e com diferentes pensamentos de fundo, procurou-se tirar à luz o jeito insidioso em que as estruturas gramaticais silenciavam o feminino, salientando a insatisfação das mulheres ao constatarem quantos dos significados partilhados nas suas vidas não penetravam na versão estándar das línguas.

Queer-emos um mundo novo, p. 67

 

Os paralelismos entre o estado da língua na Galiza, as consequências emocionais nos indivíduos, e as análises sobre a teoria queer e o feminismo reflexivo de Teresa Moure são esmagadores. Se as associações, centros sociais e agrupamentos de diversa classe foram e são um espaço de libertação linguística para as pessoas, Teresa por sua vez indica:

 

Criação de espaços que resistam às formas institucionalizadas de opressão; esta seria a literatura queer.

Queer-emos um mundo novo, p. 53

 

Seguindo a boa prática, procuraremos criar no espaço da biblioteca do conservatório uma resistência às formas ortográficas da opressão, às falsas classificações do que é “mulher” e do que é “homem”, do que é “português” e do que é “galego”, para que durante umas horas sejamos capazes de considerar uma mudança de perspetiva, para podermos assinar a iniciativa da ação consciente e da intervenção social.

 

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