Casa da Galiza em Guipúscoa organiza certame poético 'Manuel Maria'

Prazo de envio de originais, até 18 de março

Segunda, 07 Janeiro 2013 00:00

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Com a obra A Luz Ressuscitada de 1984, Manuel María inaugurou a coleçom ‘Criaçom’, editada pola AGAL

PGL País Basco - A Casa da Galiza em Guipúscoa organiza o I Certame de Poesia "Manuel Maria". O prazo para apresentar os poemas remata a 18 de março e os prémios resolverám-se o 18 de maio, um dia depois da celebraçom das Letras Galegas. O evento conta com o apoio da viúva do autor, Saleta Goi, e da Fundaçom Manuel Maria.

Conforme recolhem as bases, que se podem descarregar em formato PDF no final desta notícia, estabelecem-se três prémios: o primeiro, de 400€, o segundo, de 200€, e o terceiro, de 100€.

Manuel Maria, a sua obra e o reintegracionismo

Manuel Maria Fernandes Teixeiro, nascido em Outeiro de Rei (Terra Chá) em 6 de Outubro de 1929, órfao de pai na adolescência, participou em Lugo nas tertúlias do 'Café Méndez Núñez' e estudou Filosofia e Letras em Compostela. Desde 1958 exerceu como Procurador dos Tribunais em Monforte de Lemos, e ao se aposentar foi residir para a Corunha.

Autor de umha alargada obra em galego e sempre comprometido com o nosso idioma, Manuel Maria foi o sócio número 469 da AGAL e posicionou-se inúmeras vezes como defensor do reintegracionismo lingüístico; de facto, até publicou dous livros na norma da associaçom, como bem assinala o professor António Gil no artigo «Caro Manuel Maria, que estás nos céus!», que acompanha esta informaçom.

Com o volume A Luz Ressuscitada inaugurou, no ano 1984, a coleçom 'Criaçom' da Associaçom Galega da Língua. Este poemário diferencia em 141 páginas quatro epígrafes e um cento de poemas, que começam com o intitulado 'A Saleta', de homenagem à mulher com quem casou em 9 de maio de 1959 e que foi a sua companheira até ao final da vida:

 

A SALETA

Nom sei como agradecer tanta ternura,
tantos dias usados em comum,
tantas horas de plenitude,
tanta beleza que enterrache em mim,
tanta luz gastada simplesmente
em olhar-me envelhecer; ofício duro,
doente, fatal e inevitável.
Eu só tenho, para celebrar a tua
nédia e imarcescível primavera,
esta melancolia senhardosa
semelhante, quiçá, a umha camélia
e as palavras murchas e azedas
que tentam florecer nos meus poemas.

Para além da publicaçom d'A Luz Ressuscitada, a AGAL honrou-se com a sua participaçom muito activa no congresso organizado sobre Álvaro Cunqueiro, em Mondonhedo, em abril de 1991.

Fôrom muitos os críticos e estudiosos que se ocupárom da produçom de Manuel Maria, e umha Fundaçom com o seu nome, sediada na Terra Chá, editou umha comprida bibliografia. Na Gran Enciclopedia Gallega, Pilar Garcia Negro e X. M. Dobarro Paz, num verbete redigido no início da década de 80, salientavam nele três características: ter inaugurado como primeira voz inédita a literatura galega após a guerra de 1936, ser o escritor contemporáneo de maior produçom literária e, entre os da sua geraçom, os que manifestou umha maior fidelidade ao idioma próprio.

 

AS ORIGENS

Um volta sempre às suas origens,
aos lugares nos que está enraizado,
ao seguro torrom da própria tribo,
às sabidas conversas familiares,
aos velhos caminhos sem surpresas,
a escuitar a música do rio que
cruzou lentamente a nossa infáncia,
a sentir o som amigo das campanas
orvalhando soidades e lembranças.
E à alta maravilha de poder falar,
do jeito mais fondo e mais total,
coa luz que um amou, ressuscitada.

[D'A Luz Ressuscitada]

 

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