Recital de poesia e arte em geral comemora Dia da Mulher Trabalhadora no IES de Monterroso

Quarta, 06 Março 2013 09:33

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A Armada da Ribeira

PGL - O dia 8 de março terá celebração especial no IES de Monterroso. A cantora Pilocha interpretará A Armada da Ribeira, com música dela e letra de Adela Figueroa, colaboradora do Portal Galego da Língua.

Ainda, Celsa Sánchez mostrará a sua pintura de temática feminina, nomeadamente a dedicada as mariscadoras, também sob o título A Armada da Ribeira.

O estudantado do liceu comentará as poesias e relatos acerca das mulheres que reproduzimos abaixo, alguns inéditos como Matei-a por que era minha.


A Armada da Ribeira


Adela Figueroa

(Dedicado ás sacrificadas mariscadoras das rias da Galiza)

 

Amanhã quando cantes na ribeira

Como adoitas fazer nas alvoradas

Pressentirei na tua alma atormentada

O brincar do lume na lareira.

 

Porque as chamas ardentes vão aquecendo

Os corações das mulheres mergulhadas

Nas areias pretas, as pernas sempre molhadas

Na friagem dos lameiros de fétidos recendos.

 

Multicolor exército de dobrado lombo

Na procura da vida agachada nas areias

Apresada nos “croques” como bombos.

 

Darás gosto manhã a paladares exigentes

Ignorantes e cegos de tantas pernas

E de pés amolecidos no salseiro das correntes

 

As três rosas do Minho


Adela Figueroa Panisse

( Em lembrança das mulheres que pairam nas ruas da Tineria)

 

Todas três eram doces rosas

Nascidas da mesma roseira.

Sem espinhas das silveiras

Nem do mundo temerosas.

Rosinhas de flores brancas ,

Vermelhas, amarelas, ou pretas,

Que vedes as vossas pétalas,

Murchar no triste renger das trancas

Insensíveis, a fechar portas e janelas.

Borboletas, de asas rotas

Todas três, eram doces rosas.

No Portão da triste casa

O vosso espírito assoma

Ansioso, irrequieto e destemido

Antes de intuir, ignorante

os maus ares que assombram,

nos caminhos das vergonhas.

Todas três eram doces rosas,

 

Flores do nascer do dia.

Rosinhas, cravos e gomos

Das silveiras dos caminhos

O vento seco da vida

Há-vos de murchar as cores.

Todas três foram doces rosas


Matei-a por que era minha


Adela Figueroa Panisse

 

Matei-a por que era minha

Mais ela não o sabia

Minha amiga.

 

Ao rio das águas bravas

Fui por ver a belida

Meninha, mais ela não vinha

Minha amiga.

 

No rio das águas vivas

Ela onda mim não chegava

E eu penava

No rio das águas bravas.

 

E eu em pânico crescia

Ao pé da fonte belida.

E eu cuidava do ela estava

Minha amiga.

 

Ao pé da fonte lavada.

Minha amiga não chegava

E coitado eu esperava e pensava

Onde ela estaria

mia amiga a belida.

 

E eu cuidava que com outro estava

E de mim riso faziam e me burlavam

Em quanto me traiçoavam

Ainda, eu cuidava

Que ela o amava.

 

E ciúmes fortes eu tinha

E grandes tormentos queimavam

Minha entranha.

E eu em raiva penava

E cuidava

Que a meninha formosa era minha

Mais noutros braços estava

Todavia.

 

Com outro amor a belida

Gozava

E falava

E era grande alegria

Que ambos os dois traziam.

 

E eu de genreira

Ruivo da face

Cego dos olhos ia.

Na i-alma raiva viva.

 

Pela beirinha do rio

A minha amiga cantava

E onda mim caminhava

Em alegria.

 

E a belida não cuidava

A raiva que, duramente,

No meu coração doente

Eu alimentara.

 

E minha amiga cantava

E flores do rio cortava

Na fonte belida.

 

E minha faca afiada

Vermelhas flores fazia

No verde leito de ervas

Em que a minha amiga

Inocente para sempre

Dormia .

Pois eu cuidava que era minha

Mais ela não o sabia.

 

Bela


Adela Figueroa

 

Vê-la aí está a formosa dama,já não donzela

Bela, a aguardar

na porta deste Bar ,

algum homem a deixar

para ela , umas moedas.

Amor é o que Bela vende

e amor é prenda que se compra

na rua da mísera Cidade Velha,

outrora lar de aristocratas e patéticos fidalgos arruinados.

Vê-la aí a velha moça, a Bela

na Cidade Velha.

Nada fica,já, da antiga linhagem entre os muros milenários

da bimilenária Cidade :

Apenas miséria e mulheres

da rua, a venderem, por horas e serviços, um amor contratado.

Grei multirracial e multilíngüe

igual nos arrabaldes da cidade

que nos conselhos de administração

das grandes multinacionais,

são numerosas as línguas utilizadas:

Francês, russo ou chinês,

grego italiano ,ou castelhano.

Todos foram igualmente falados.

Embora as trabalhadoras do amor

não tenham assistido á nenhuma

Escola Oficial de Idiomas

nem a qualquer Universidade ,

com ou sem Plano de Bolonha.

Trabalham por horas e por serviço

sem guarda chuvas ou camisinha

que as proteja

das inclemências do tempo, das pessoas ou das presas.

Nem segurança social, ou convênios coletivos

contam entre seus benefícios.

Sim, no entanto, exercem a “free lance”

sob o manto protetor de algum chulo

que lhes há sugar o sangue.

Amor, amor , amor !!

doce e imprevisível sentimento,

rude lamento,

Quem diz que o amor não tenha preço?