Lançamentos de "Eu Violei o lobo feroz" e "O Crânio de Castelao na Culturgal

Sábado, 30 de novembro, lançamento dos livros Eu violei o lobo feroz e O Crânio de Castelao no Culturgal

Quinta, 28 Novembro 2013 00:00

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PGL- Esta sábado, 30 de novembro, entre as 16h30 e as 17h30, no Culturgal, feira das indústrias culturais de Ponte Vedra, terão lugar os lançamentos dos livros O Crânio de Castelao com a presença dalgum dos autores como Carlos Quiroga e Miguel Miranda, e de Eu Violei o lobo feroz com a presença de Teresa Moure e Rafa Vilar. Organiza ATRAVÉS EDITORA.

Eu  violei o lobo feroz de Teresa Moure

Neste primeiro livro de poemas de Teresa Moure uma singular Capuchinho Vermelho reconstrói e constrói a sua historia e identidade através de confissões quando é retida por terrorismo ecológico.

Reproduzimos o primeiro poema do volume e que serve de aproximação a esta obra:

Este livro, que ainda não é,
nasce duma ferida
comprida e profunda,
duma fenda escura e húmida
nos calabouços duma prisão do esta
repressor.
Este livro, que ainda não é,
nasce duma ferida palpitante,
da dor imensa de ver-me desamparada
logo de tantas ideias libertadoras
que pulam, aí onde estais, fora destes muros,
nas ruas, nos antros mal ventilados
que não se conformam com o ar assético da democracia
Mas, sobretudo, este livro
nasce duma ferida
carnosa e suave
que ciclicamente sangra
e que levo aberta
entre as pernas.

 

A autora:

altDizem de Teresa Moure que no seu tempo livre escreve. Às vezes mesmo nas paredes e nem falta quem assegure tê-la visto a borronear no mobiliário urbano por não dispor de computador, embora ela tente sempre não ser vista nestes excessos artísticos porque não quer acabar com a sua reputação de pessoa cívica. Entre parede e parede, reparte mimos sem medida, que ela nunca foi contida nem mesurada, cultiva unha horta abafada de flores duma beleza mortífera e acompanha as formigas nos seus trabalhos de verão. Ainda que ninguém a visse nunca sem um livro nas mãos, mente a quem a quiser escutar contando-lhe detalhes atrapalhados sobre as suas experiências −que apenas ela assegura que são tantas−, e as suas viagens ao longo do planeta, −quase todas imaginárias−. O seu maior desejo seria pastorear uma manda de girafas, mas, como estes teimosos animais não se habituam à chuva galega, está a pensar em inventar algo com que varrer as nuvens negras do céu. Talvez seja certo que escreveu vários romances, obras de teatro e ensaios, sempre em galego, porque tem o vício de se comprometer com as causas difíceis. Professora na Universidade de Santiago de Compostela duma matéria com o procaz nome de linguística geral, procura absorver cada dia do alunado a energia necessária para que o peso cruel da existência não lhe empeça somar-se a qualquer guerrilha destinada a construir um mundo melhor.

O Crânio de Castelao

Tudo começou a propósito do encontro Galego no Mundo-Latim em Pó, inserido na programação de Santiago Compostela, Capital Europeia da Cultura 2000. O escritor galego e prof. de Literaturas Lusófonas da Universidade de Santiago, Carlos Quiroga, arriscou uma forma original de comemorar a ligação entre o galego-português. Nasceu assim O Crânio de Castelao, um romance em folhetim, escrito por 11 autores galegos e de países lusófonos, numa espécie de diálogo entre a literatura galega e o mundo da lusofonia a que também pertence. Cada capítulo o seu autor: aos galegos Carlos Quiroga, Antón Lopo, Suso de Toro, Quico Cadaval, Xavier Queipo e Xurxo Souto, juntam-se Miguel Miranda (Portugal), Bernardo Ajzenberg (Brasil), Germano Almeida (Cabo Verde), Possidónio Cachapa (Portugal) e Luís Cardoso (Timor).

Os quatro primeiros capítulos estavam prontos nas semanas anteriores ao Encontro. E previa-se a publicação semanal do folhetim em três jornais do Brasil, Portugal e da Galiza, ao ritmo de um capítulo por semana. O que não se chegou a verificar, segundo o coordenador, devido a "misteriosas intrigas". Mais de uma década volvida, publica-se finalmente O Crânio de Castelao, primeiro no Brasil por via do melhor periódico Literário desse grande país, o Rascunho, em Portugal por meio do prestigioso JL, e no nosso país no semanário Sermos Galiza, três meios em que foi aparecendo nos meses precedentes. E por fim temos já o livro, editado pela Através Editora, que reúne todos os capítulos e outras explicações.

A intriga parte do furto do crânio de Castelao. Um Catedrático de Medicina pede a um discípulo que o procure e nessa busca, que leva o jovem por várias geografias de Portugal, Cabo Verde, as Açores e o mesmo Índico, interfere a filha do velho professor. Quando recebem aviso final de regresso, pois o crânio fora substituído por outro, os meios conseguiram fazer crer que o roubo nada mais era do que uma ficção literária ligada ao mencionado Encontro Galego no Mundo-Latim em Pó.

Aconteceu tal roubo? Pertence a Castelao o crânio que hoje se encontra no Panteão de Galegos Ilustres? Foi talvez suplantado? E é tudo Literatura ou existe alguma realidade por trás desta narrativa...?

O caso resolveu-se com um sigilo que durante anos ficou escondido. Só agora, decorrida uma dúzia de anos e tendo falecido algumas das pessoas aludidas, podemos conhecer quase ao completo a verdadeira história.

 

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