Projeção no Gato Vadio do Porto do filme "Poeticamente exausto, verticalmente só" apresentado por Xurxo Nóvoa Martins

Na livraria-espaço cultural Gato Vadio do Porto, com a participação do galego Xurxo Nóvoa Martins

Sexta, 13 Dezembro 2013 00:09

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PGL - Próximo sábado 14, às 17h30 (hora galego-portuguesa), oportunidade para ver ou rever "Poeticamente Exausto, Verticalmente Só - A história de José Bação Leal", de Luísa Marinho, desta vez com um convidado especial, o Sócio da AGAL e da Ciranda, à volta do português, Xurxo Nóvoa Martins, cujo trabalho de fim de grau em Estudos de Galego e Espanhol pela Universidade de Vigo tratou sobre o José Bação Leal, para apresentar o filme.

Estará presente a relizadora do documentário, a tripeira Luísa Marinho. A sessão é na livraria-espaço cultural Gato Vadio do Porto, (Rua do Rosário, 281 4050-285 PORTO Porto, Telefone +351 22 202 6016 Site http://gatovadiolivraria.blogspot.com/)

Contextualizado no Portugal de finais dos anos 50 e inícios dos anos 60, “Poeticamente Exausto, Verticalmente Só” conta a história de José Bação Leal, um jovem e promissor poeta, falecido em Moçambique durante a guerra colonial, com apenas 23 anos.

Com uma sensibilidade à flor da pele e uma consciência política rara naqueles tempos, marcou fortemente as pessoas com quem conviveu. Após a sua morte, os amigos juntaram-se para editar, em forma de homenagem, os seus poemas e cartas. Em 1971 o seu pai reedita-o desta vez com um grande impacto no meio literário e intelectual. Será, nesse ano, o livro mais vendido na Feira do Livro de Lisboa, antes de ser apreendido pela PIDE.

No prefácio de “Poesias e Cartas” escreve Urbano Tavares Rodrigues “além de nos fazer conviver humana e esteticamente com quem teria porventura vindo a ser – não lhe tivessem truncado a vida a crueldade e a insânia que ele denuncia – um dos maiores escritores da língua portuguesa do nosso tempo, este livro fica para sempre, no seu valor testemunhal, como um marco histórico (resumindo a agonia e o martírio de tantos e tantos jovens absurdamente torcidos ou, como ele, quebrados ao arrepio da história, na sua natureza e nas suas opções)”.

“Poeticamente Exausto, Verticalmente Só” (frase retirada de uma das suas cartas) traça o percurso de Bação Leal através das memórias dos seus amigos próximos e da sua irmã. Estes lembram a sua inteligência, o seu talento, o seu humanismo, bem como a resistência corajosa de que foi capaz dentro da própria institução militar.

Carta de José Bação Leal que deu título ao filme:

"...poeticamente exausto, verticalmente só... lembro memória dum qualquer verão em nenhuma parte. Percorro o suor dos mortos. Acabo em cada boca que começa. E como os mortos suaram antes da guitarra de barro! Kid, companheiro antiquíssimo: pergunto: o desespero já foi jovem? Quem doará seu rosto ao trigo da aurora? Quem, quando a areia crescer nos olhos, resolverá a rosa marítima? ESCREVE! Nada sei da mulher que possuiste em casa da Lena. Sei somente das jovens que a cidade digeriu... Sei todas as cidades do nocturno mapa do esquecimento...

P.S.: Sou aspirante. Não me chames alferes. Sim, não me promovas.

 

ao Francisco

Agosto de 1963

Mafra"

(in "Poesias e Cartas", 1971)

 

Trailer em HD: https://www.youtube.com/watch?v=K3pAMaI3E60

Documentário - 53 min - 2007

Realização: Luísa Marinho

Produção : António Ferreira

Fotografia : Cláudio Ribeiro

Música : Luís Pedro Madeira

Produção: PERSONA NON GRATA PICTURES

 

Luísa Marinho nasceu no Porto a 25 de Fevereiro de 1978. Formou-se em Comunicação Audiovisual no Instituto Multimédia do Porto/Centro de Formação de Jornalistas. Trabalhou como jornalista na área da cultura do jornal diário "O Comércio do Porto".

Página de PERSONA NON GRATA PICTURES: http://pngpictures.com/poeticamenteexausto.htm