Denunciam primazia do inglês acima do galego nas teses da USC

Contudo, soma das variantes internacional e isolacionista da nossa língua, colocam-na em segundo lugar

Quinta, 05 Maio 2011 08:02

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PGL - Partindo das conclusões de um trabalho da professora Isabel Vaquero Quintela, Os idiomas nas teses e outros traballos de investigación en 2010 na Universidade de Santiago de Compostela (USC) o grupo parlamentar do BNG reclamou medidas para corrigir a precária situação do galego neste âmbito.

Apesar de a USC ser a universidade galega com maior uso do galego na docência, a variante isolacionista da língua tem menor presença que o castelhano ou o inglês nas teses de doutoramento. Das 214 teses lidas em 2010, foram redigidas em castelhano os 64,01%, em inglês 15,95% e em galego ILG-RAG apenas 13,78%. Contudo, a soma das variantes internacional (7,24%) e isolacionista colocaria a nossa língua em segundo lugar, com 21,02%.

Apesar dessa soma, o castelhano, com 137 teses, mantém sua secular hegemonia. É a única língua com presença em todos os departamentos. Em inglês foram apresentadas 34 teses, circunscritas aos departamentos de ciências da saúde e ciências puras. Uma olhada ao gráfico da evoluçom do uso das línguas nas teses (gráfico nº 3) faz suspeitar que esta superioridade da língua estrangeira (da qual há dados desagregados desde 2009) se deu oito vezes desde 2000. A significativa percentagem de teses na norma internacional do galego, português, explica-se sobretudo pela presença de alunos portugueses.

Integramente em galego ILG-RAG elaboraram-se 26 teses. Ainda houve mais trabalhos que o utilizaram de maneira secundária, contabilizando cada um deles 0,5, dando uma cifra total de 29,5 teses. Embora o leque de departamentos onde se apresentam teses em galego é amplo, ainda há 18 departamentos, dos 72 em que se divide a USC, em que a presença do idioma nacional é nula, e deles cinco não ministraram nem uma só hora de docência em galego durante os últimos seis cursos (ver Memória do Ano Académico 2008-2009, a última disponível no site da USC).

A utilização da língua galega nos trabalhos de investigação experimentou um modesto e irregular crescimento desde 1990, primeiro ano do que temos dados. Na década de 90 a média de uso foi do 7,06% e na seguinte, de 11,57%. A professora Vaquero Quintela destaca que «o cruzamento de dados de solicitantes de ajudas à realização de teses de doutoramente em galego desde 1994 [em que começou o programa de ajudas nos trabalhos de investigação iniciais] e de utilização da nossa língua na docência por parte destes mesmos professores e professoras, revela um grau de fidelização muito elevado ao uso do galego».

Porém, apesar desses 17 anos de antiguidade, o programa de incentivos não parece ter sido muito conhecido: «só 11 das teses defendidas na nossa língua em 2010 solicitaram as subvenções, de até 400€, ou o correspondente assessoramento linguístico e terminológico». Ainda mais baixo parece o aproveitamento dos incentivos a outros trabalhos de investigação (trabalhos de fim de mestrados, trabalhos de investigação tutelados e memórias de licenciatura).

O montante dedicado não parece favorecer esse conhecimento, pois segundo os dados da convocatória de ajudas da Universidade da Corunha de 2010 (400€ para as teses de doutoramento e 200€ para as teses de licenciatura, trabalhos de fim de mestrado, trabalhos de investigação tutelados e projetos de fim de carreira, com um importe global de 10.750€), os beneficiários poderiam ser perto de 26. A quantia total das ajudas da USC no curso 2008-2009 (a partir daí houve notável diminuição) ascendeu a 12.964 €.

Iniciativa do BNG

Os dados do estudo levaram o BNG a apresentar na Mesa do Parlamento uma pergunta, para sua reposta escrita, para conhecer a valorização que a Junta faz destes dados e as medidas práticas que adotará, em colaboração com a Universidade de Santiago de Compostela, para acrescentar o uso do galego.

Isabel Vaquero Quintela

Isabel Vaquero Quintela, integrante da CTNL (Coordenadora de Trabalhadores/as de Normalização da Língua) e de Galego21, trabalha como técnica em normalização no Serviço de Normalização Linguística da USC. Foi coordenadora, junto Bieito Silva e Xesús Rodríguez de Educación e línguas en Galicia, primeiro livro nativo digital do Serviço de Publicações da USC, em que estabelece as pautas para li8gar o debate académico e social acerca da situação linguística da Galiza. A obra reúne as questões tratadas numas jornadas organizadas pela USC em que se debateu acerca do funcionamento linguístico do sistema educativo e sobre o papel social da língua.


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