Meendinho lança manifesto para toda a sociedade galega

No Dia das Letras Galegas 2011: Galegas e galegos enveredemos o caminho certo

Terça, 10 Maio 2011 07:36

Atençom, abrirá numha nova janela. PDFVersom para impressomEnviar por E-mail
Engadir a del.icio.us Compartilhar no Twitter Compartilhar no Chuza Compartilhar no Facebook Compartilhar no DoMelhor

PGL - Para denunciar a situação em que se acha o português na Galiza, a Fundaçom Meendinho elaborou um Manifesto que vai ser lido em Compostela no ato de homenagem a Ernesto Guerra da Cal no Dia das Letras Galegas de 2011. O evento decorrerá no monumento a Ricardo Carvalho Calero, às 11h30 do dia 17 de maio.

No Manifesto, e dentro da sua brevidade, é apresentada a situação da língua galega, é explicado o seu caráter de extensa e útil, além de denunciada a situação que vive na Galiza a nossa língua, sem esquecer o feito de neste ano celebrarmos o 1600 aniversário do Gallaeciorum Regnum, comemoração que tem um especial destaque nas atividades da Meendinho para este ano.

Diversas pessoas e organizações já têm aderido ao Manifesto. Da Meendinho assinalam que foi disponibilizado um espaço específico na rede para esse fim: http://www.peticaopublica.com/PeticaoVer.aspx?pi=DLG2011.

 

A fala da Galiza, o português de Portugal, os português dos distintos estados lusófonos, forma um único diassistema internacional, conhecido entre nós popularmente como galego e internacionalmente como português

Ricardo Carvalho Calero


1- A Língua da Galiza é uma criação original coletiva do nosso povo, que nos faz ser o que somos ao nela vivermos socialmente como tais, pois por cima de qualquer outra cousa ela representa o espírito da nossa alma coletiva como povo diferenciado e original.

2- Portugal esse cerne da velha Galiza, estendeu a nossa língua polo mundo, fazendo dela uma das mais importantes línguas internacionais. A língua da Galiza é, nas palavras tradicionais do galeguismo, extensa e útil.

3- O povo galego na sua língua extensa e útil está e é no mundo, porém sem ela ficará morto.

4- Denunciamos que sob a pretensa normalização da língua da Galiza, sempre inacabada, as autoridades espanholas apresentam a língua nacional carente de qualquer sentido de utilidade e expurgada da sua dignidade e da sua condição de ser uma das línguas europeias de maior difusão internacional, usada em todos os continentes, que com a variedade própria das línguas internacionais é falada por centos de milhões de pessoas no mundo.

5-  Enquanto se reforça continuamente o fator da utilidade e a correspondente necessidade da língua castelhana; para a língua da Galiza, o galegoportuguês ou português da Galiza as políticas reduzem-no, a um sentimento carente de utilidade e necessidade, o que a faz perceber como uma escolha na intimidade privada e sentimental, despida do que é a realidade das línguas: Uma criação coletiva que se vive socialmente e como tal é necessária e útil.

6- Na Língua da Galiza cria-se, edita-se, publica-se, como o que é, uma das línguas internacionais do mundo.  Denunciamos com o amparo das leis europeias -repetidamente violadas polas autoridades espanholas- ante o nosso povo, os povos do mundo e de jeito especial os da lusofonia que compartimos- que a receção dos meios portugueses de todo tipo, especialmente as televisões segue absolutamente banido da Galiza ao norte do rio Minho, sob as práticas mais corruptas, falsas e vergonhosas.

7- Lembramos, que neste ano de 2011 cumpre-se o 1600 aniversário do nascimento  -nas suas palavras- Gallaeciorum Regnum, que com o centro na velha e histórica capital da Galiza –Braga- foi o fermento para o povo galego como tal ser gerado, tanto no que respeita a Portugal, como à Galiza  do estado espanhol, que acabou usufruindo esse nome -.

8-  Os assinantes, queremos lembrar a todo o nosso povo, que a Galiza foi um reino livre com as suas pegadas na história do mundo e da velha Europa, pleno de sucesso, e que como tal viveu até que a terrível guerra de 15 anos (chamada naquela altura de doma e castração) a seguir a batalha de Toro de 1486,  nos submeteu a Castela. Pensamos que é momento de tornarmos à rota certa e relacionarmo-nos com os nossos vizinhos sob os princípios do respeito e da fraternidade solidária.

9- Neste ano, centésimo do nosso grande homem das letras Ernesto Guerra da Cal, queremos destacar a sua figura que tem que ser um farol do agir polo caminho certo e seguro o nosso povo, compartindo esse farol com o do seu bom amigo o também professor Ricardo Carvalho Calero, ante cujo monumento nos achamos.