Meios publicitam informe da Junta sobre suposto aumento do galego entre a juventude

O galego está em situaçom de desequilíbrio com o castelhano no uso diário

Segunda, 08 Agosto 2011 10:27

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Na imagem, umha manifestaçom em defesa do galego

Maria E. - Boa parte da imprensa editada na Galiza noticia hoje acerca de um suposto incremento do uso do galego entre a juventude do País. A informaçom, que com certeza seria alentadora, deixa sérias dúvidas e sombras quando se observar com detalhe.

As informaçons publicadas por meios como La Voz de Galicia ou El Correo Gallego, entre outros, afirmam que o galego avança entre a juventude, e apenas citam como fonte de tais afirmaçons um estudo elaborado pola Direçom Geral de Juventude. Mais de um cento de páginas das quais só umha, a número 108, trata a questom lingüística. Ainda, na comparativa que realiza entre 2010 e 2007, esta existe unicamente nos dados finais, sendo que no resto de campos apenas aparece o dado de 2010, sem possibilidade algumha de realizarmos a comparança se nom dispormos de estudo Xuventude Galega 2007 —nom disponível na rede, ao menos polos canais oficiais—.

Numha tabela muito sintética, os autores do estudo dividem os usos lingüísticos atendendo a diferentes situaçons: com os membros do mesmo domicílio, ao ir de compras, ao atender o telefone, ao redigir um e-mail ou SMS, ao falar com um desconhecido ou na relaçom com a parelha, entre outras. Segundo este relatório, o uso do galego entre a populaçom de 15 a 29 anos teria crescido, de média, 5,3%, se bem é impossível saber em quais situaçons se produziu o maior avanço, pois a comparativa com 2007 nom se realizou em cada umha das situaçons, apenas na média conjunta, como indicado anteriormente.

Tabela com os usos lingüísticos da juventude galega
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Contudo, os dados de 2010 som avondo reveladores como para constatarmos a dualidade existente na juventude galega, para a qual o galego é língua mormente familiar —quase equilibrada com o castelhano, segundo o estudo, mas em definitiva uns pontos por baixo—, enquanto no resto de situaçons domina claramente o castelhano, especialmente no que diz respeito do uso das tecnologias da comunicaçom ou na língua inicial com desconhecidos. Ainda, as conclusons do estudo contêm umha notável margem de erro na interpretaçom, pois mais de 10% das pessoas que participárom dérom como respostas "depende" ou "nom contesta", o qual ainda poderia desequilibrar mais desfavoravelmente para o galego o quadro definitivo.

Críticas

Esta mesma manhá, através da sua conta de Twitter, Carlos Neira, consultor nas áreas da economia, a estatística, a administraçom pública, a comunicaçom e as novas tecnologias da informaçom, criticou o estudo da Direçom Geral de Juventude porque só ajuda a «criar confusom», e colocou os dados do Instituto Galego de Estatística, cuja comparativa entre 2008 e 2003 permite alviscar umha tendência muito diferente. Apesar de os dados do IGE serem algo mais antigos —2007—, isto fica em parte compensado por utilizar umha amostra muito maior e, aliás, incluir a populaçom de 5 a 14 anos, excluída do relatório publicado pola Junta da Galiza.

Plano estratégico

Apesar da grave situaçom do galego entre a mocidade e da sua clara situaçom de inferioridade a respeito do castelhano em diferentes ámbitos, a Direçom Geral da Juventude tem previsto poucas atuaçons em matéria lingüística no seu Plano Estratégico de Juventude 2010-2013, no qual se recolhem os «retos e objetivos tendo em conta as necessidades reais dos moços e moças galegos», afirmam do próprio departamento.

Dentro desse plano, as atuaçons lingüísticas som o objetivo operativo nº 7 de um total de 11, e centrariam-se em «possibilitar umha oferta educativa, formativa e de lazer em língua galega para a mocidade». Este objetivo operativo incluiria quatro medidas: 1) açons de potenciaçom do uso do galego entre a juventude, 2) açons de fomento e reforço da competência em língua galega, bem como de atitudes favoráveis ao uso, 3) açons de «dinamizaçom» —nom normalizaçom— do galego entre a mocidade, favorecendo espaços de lazer, e, 4) apoio à criaçom de produtos em galego do interesse da mocidade.

Como entidades implicadas, apenas aparecem as próprias da Administraçom autonómica, nom se prevendo espaço próprio para outras entidades que levam anos ou mesmo décadas a trabalharem nos campos cultural e normalizador. Ainda, numerosos espaços ficam fora das atuaçons previstas por Juventude para «dinamizar» o uso do galego, como a educaçom afetivo-sexual —como se viu na tabela de cima, o castelhano mais usado que o galego no namoro e na vida em parelha—, o ensino ou a conscientizaçom sobre os direitos lingüísticos, entre outros possíveis eixos de atuaçom.

 

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