Mia Couto ganha Prémio Camões

Segundo autor moçambicano premiado · O prémio tem valor monetário de 100.000€

Terça, 28 Maio 2013 10:10

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Mia Couto

PGL - O moçambicano Mia Couto, é o novo ganhador do Prémio Camões, que no ano passado ganhara o brasileiro Dalton Trevisan. É o segundo moçambicano em receber a premiação após José Craveirinha, em 1991.

O júri valorizou a «vasta obra ficcional caracterizada pela inovação estilística e a profunda humanidade». A sua obra «foi muito valorizada pela criação e inovação verbal, mas tem tido uma cada vez maior solidez na estrutura narrativa e capacidade de transportar para a escrita a oralidade», salienta José Carlos Vasconcelos, um dos jurados. Além disso, conseguiu «passar do local para o global» numa produção que já conta 30 livros, traduzidos a dúzias de idiomas.

Em declarações à agência Lusa, Couto assegurou que continua a trabalhar no seu novo romance, voltado para Gungunhana, personagem histórico de Moçambique. «Estou a escrever uma coisa que já vai há algum tempo, um ano, mais ou menos, e é sobre um personagem histórico da nossa resistência nacionalista, digamos assim, o Gungunhana, que foi preso pelo Mouzinho de Albuquerque, depois foi reconduzido para Portugal e acabou por morrer nos Açores».

O prémio

Nas anteriores 24 edições do Prémio Camões, Portugal e Brasil foram distinguidos dez vezes cada, a última das quais, respectivamente, nas figuras de Manuel António Pina (2011) e de Dalton Trevisan (2012). Angola teve, até ao momento, dois escritores citados: Pepetela, em 1997, e José Luandino Vieira, que, em 2006, recusou o prémio. De Moçambique fora já premiado José Craveirinha (1991) e de Cabo Verde Arménio Vieira (2009). Criado por Portugal e pelo Brasil em 1989, e atualmente com o valor monetário de 100.000€, este é o principal prémio destinado à literatura em língua portuguesa e consagra anualmente um autor que, pelo valor intrínseco da sua obra, tenha contribuído para o enriquecimento do património literário e cultural da língua.

Perfil do premiado

António Emílio Leite Couto nasceu em 1955, na Beira (província de Sofala, Moçambique) no seio de uma família de emigrantes portugueses. Começou por estudar Medicina na Universidade de Lourenço Marques (atual Maputo). Integrou, na sua juventude, o movimento pela independência de Moçambique do colonialismo português. A seguir à independência, na sequência do 25 de Abril de 1974, interrompe os estudos e vira-se para o jornalismo, trabalhando em publicações como A Tribuna, Tempo e Notícias, e também a Agência de Informação de Moçambique (AIM), de que foi diretor. Em meados da década de 1980, regressa à universidade para se formar em Biologia. Nessa altura, tinha já publicado, em 1983, o seu primeiro livro de poesia, Raiz de Orvalho.

Na sua trajetória literária publicou uma trintena de obras e recebeu distinções como os prémios Vergílio Ferreira (1999, pelo conjunto da obra), Mário António/Fundação Gulbenkian (2001), União Latina de Literaturas Românicas (2007) ou Eduardo Lourenço (2012). O público galego pode-se iniciar na sua obra graças à loja on-line Imperdível.