Saramago, Lisboa e os Galegos

Primeiro artigo do novo blogue do escritor destaca herança galega da capital portuguesa

Quinta, 18 Setembro 2008 00:00

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PGL Portugal - Aos seus 85 anos o Nobel da Literatura José Saramago parece mais activo que nunca. Isso demonstra o seu novo projecto lançado na «página infinita da internet», o blogue O Caderno de Saramago. O texto com que abre, subordinado ao título «Palavras para uma cidade», é «uma carta de amor, de amor a Lisboa», segundo afirma o próprio Saramago, e a Galiza está bem presente nas suas palavras.

Com certeza, o escritor afirma ter recuperado este artigo dedicado a Lisboa «Mexendo nuns quantos papéis que já perderam a frescura da novidade, [...], e, não me envergonho de confessá-lo, emocionei-me». Entre as suas primeiras reflexões, destaca uma série de «miudezas históricas» que dão para ver «como veio mudando Lisboa». Nesse primeiro parágrafo o escritor coloca em destaque a herança galega da capital portuguesa:

 

«Tempo houve em que Lisboa não tinha esse nome. Chamavam-lhe Olisipo quando os Romanos ali chegaram, Olissibona quando a tomaram os Mouros, que logo deram em dizer Aschbouna, talvez porque não soubessem pronunciar a bárbara palavra. Quando, em 1147, depois de um cerco de três meses, os Mouros foram vencidos, o nome da cidade não mudou logo na hora seguinte: se aquele que iria ser o nosso primeiro rei enviou à família uma carta a anunciar o feito, o mais provável é que tenha escrito ao alto Aschbouna, 24 de Outubro, ou Olissibona, mas nunca Lisboa. Quando começou Lisboa a ser Lisboa de facto e de direito? Pelo menos alguns anos tiveram de passar antes que o novo nome nascesse, tal como para que os conquistadores Galegos começassem a tornar-se Portugueses…»

 

Conforme anunciou a Fundação Saramago, com este novo projecto o escritor propõe-se a «comentar acontecimentos, expressar opiniões, reflectir em voz alta» e «comportar-se como mais um dos blogueiros que povoam o ciberespaço». Nesta altura, além do Palavras para uma cidade, já podem ser lidos mais três textos: Berlusconi & C.ª , George Bush, ou a idade da mentira , Perdão para Darwin?