Galiza Livre publica novos documentos que ligam a Galiza com o Brasil e Portugal

A importância de Portugal para a Galiza e a unidade lingüística formavam parte já dos documentos fundacionais do nacionalismo galego

Sexta, 04 Fevereiro 2011 08:53

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Capa do livro de Xurxo Martínez sobre o Fuco Gomes

PGL - O portal Galiza Livre publica novos documentos que ligam a Galiza com o Brasil e Portugal. Trata-se de umha carta de Manuel Rodrigues Lapa a Fuco Gomes, e de textos do primeiro nacionalismo galego que tratam sobre as nações lusófonas já referidas.

A missiva de Lapa a Gomes está datada em 23 de abril de 1948 na cidade aveirense de Anadia. Nela, o professor português agradece ao de Ouselhe ter-lhe oferecido uns números do Pátria Galega, e dos livros La agonía de Iberia e O idioma dos animás, lamentando que «o seu projectado dicionário não possa ir por diante».

Também se refere Rodrigues Lapa ao ideal de separatismo de Gomes, que qualifica de «utopia ingénua», preferindo apostar por umha «federação de regiões autónomas, como a República tinha empreendido».

No caso galego, o inteletual luso acha que se trata de «um caso especial», pois as suas caraterísticas, «diferentes» das de outros povos polas «as afinidades de língua, temperamento, folclore, etc. com o vizinho Portugal», teria como resultado, no caso da independência galega, umha «aproximação muito mais íntima com a nação portuguesa e poderia até levar, mais tarde ou mais cedo, a uma anexação, dados os vínculos históricos que unem a Galiza a Portugal». Finaliza a missiva expressando o seu «entranhado amor» à nossa terra.

O outro artigo do Galiza Livre intitula-se «Portugal (e o Brasil) em alguns documentos do primeiro nacionalismo galego (1887-1919)», e repassa alguns documentos fundacionais e de fatura coletiva em que se espelha a importância que Portugal tivo para a libertaçom nacional da Galiza desde a constituiçom o próprio movimento.

Na Assembleia Federal do Território celebrada em Lugo em 2 de julho de 1887 aprovou-se um importante documento, o Projeto de Constituiçom para o futuro Estado Galego. «Embora hoje mui esquecido», explicam do portal soberanista, «serviu de referência para o nacionalismo de pré-guerra». O segundo artigo declarava que o Estado galego «aspira à Confederaçom Ibérica» e que «contrai a obriga de coadjuvar incessantemente, para demandar da Naçom portuguesa uma eterna aliança pactuada sobre a base do mútuo consentimento e a vontade de ambos os dous povos».

Isto seria mais tarde um dos pontos do Manifesto de Lugo, aprovado na I Assembleia Nacionalista (1918): «Crendo na acidentalidade das formas de governo, interessa-nos aclarar que nom apelamos por nenhuma, mas simpatizaremos [...] com aquela que se mostrar mais doada para chegar à federaçom com Portugal».

Já dous anos antes, as Irmandades da Fala sustinham que «todos estamos obrigados a trabalhar para que, num futuro próximo, se chegue a umha unificaçom o mais completa possível na ortografia galega por parte dos nossos escritores, até conseguir inclusive identificá-la com a portuguesa na maioria dos casos [...]». Do Galiza Livre colocam também declarações do professor Carlos Durão, quem acha que «foi importantíssimo o teimudo labor das IF por recuperar o nome patrimonial da nossa Terra, Galiza».

Em 1919 tivo lugar em Compostela a II Assembleia Nacionalista, a qual aprofunda «ainda mais» nesta direçom, «graças sobretudo a Antom Vilar Ponte». O líder irmandinho publicara a começos desse ano o artigo “Pangaleguismo” (ANT, nº 77, 15-I-1919), onde se apresentam algumhas das propostas que depois se debaterám na II Assembleia. Espanha deveria reconhecer «unha autonomía integral maor e difrente que as dos mais povos, tan fonda que reuna todas as características de verdadeira independenza, capaces de deixárennos no que nós chamamos estado nascente».

 

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