Galizalivre resgata aspectos obscuros da vida de Filgueira Valverde

O artigo é tirado da revista Gralha. Boletim Periódico nº 13, de outubro do ano 1996

Quarta, 13 Janeiro 2010 00:00

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PGL – O diário virtual Galizalivre publicou ontem um artigo tirado da extinta revista Gralha no que se dá conta de diversos aspectos relacionados com a controversa figura de Filgueira Valverde.

Galizalivre e Gralha apresentam-no como o homem que após o seu passo do galeguismo ao fascismo, promulgou o decreto anti-reintegracionista (ou apenas «antigalego» para outros) conhecido como “decreto impositivo Filgueira”. Oferecemos a seguir o artigo na íntegra:

No passado 13 de Setembro [fala de 1996] falecia José Fernando Filgueira Valverde, Presidente do Conselho da Cultura Galega. Os meios de comunicaçom prestavam homenagem ao finado, salientando o muito que segundo eles tinha feito pola cultura do nosso país. Para Antón Santamarina, Director do ILG, trata-se da maior figura intelectual da Galiza depois do Padre Sarmiento.

No passado mês de Junho Filgueira Valverde era condecorado como Doutor Honoris Causa pola Universidade de Vigo (antes fora pola de Compostela). Igualmente lhe era dedicada umha rua na Ponte Vedra, com o nome de Prof. Filgueira.

Porém, a realidade da sua biografia é bem distinta da que os meios mostravam. Eis alguns pontos que reflectem os méritos contraídos ao longo de umha vida para tanta medalha, homenagens e galardões:

1.- Liderou o grupo de dissidentes que em 1935 se enfrentou a Castelão e Alexandre Bóveda, rompendo a unidade do Partido Galeguista.

2.- Citado pola defesa como testemunha no juízo sumaríssimo que os fascistas lhe fizérom a Bóveda em 1936 nom compareceu, contribuindo à sua condenaçom à morte.

3.- Na sublevaçom militar de 1936 arengava as massas a favor do "Glorioso Movimiento" desde Rádio Ponte Vedra (vid. Vida, paixón e morte de Alexandre Bóveda, de Gerardo Álvares).

4.- Foi Presidente franquista da Câmara Municipal de Ponte Vedra entre 1959-68, recordando-se o seu passo polo cargo polo cheiro que nos deixou: foi defensor e impulsionador da Celulose da ria de Ponte Vedra. O seu nome é lembrado com o "recendo" que inunda a cidade e arredores.

5.- Foi deputado das Cortes franquistas.

6.- Foi Conselheiro de Cultura da Junta da Galiza, e principal responsável pola imposiçom em 1982 da normativa linguística, que obriga a escrever o nosso idioma com a ortografia do espanhol, rompendo a tendência absolutamente maioritária naquel momento para umha normativa de concórdia, científica e galega.

7.- Escreveu mais da metade das suas obras em espanhol, ajudando à "normalizaçom" deste idioma na Galiza. Membro até à sua morte da Real Academia Espanhola (RAE) e da Associaçom de Amigos da RAE.

Por estes méritos foi recompensado por Fraga com o "Prémio Galiza das Artes e as Letras".

Para nós som as obras as que contam, e a história encarregará-se de colocar a cada um no lugar que lhe corresponda. Descanse em paz Filgueira Valverde.

 

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