Números 7 e 8 dos Cadernos Açorianos

Dedicados respetivamente Fernando Aires e Mário Machado Fraião, recentemente falecidos

Quinta, 11 Novembro 2010 08:35

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A edição destes cadernos foi parte das resoluções do 4º Encontro Açoriano da Lusofonia

PGL - Já estão disponíveis na internet os números 7 e 8 dos Cadernos Açorianos, respetivamente dedicados a dois autores dos Açores recentemente falecidos, Fernando Aires e Mário Machado Fraião. Estão editados por Chrys Chrystello, impulsionador dos Colóquios da Lusofonia, dentro do Projeto Estudos Açorianos.

A edição destes cadernos foi parte das resoluções do 4º Encontro Açoriano da Lusofonia, realizado na vila da Lagoa (Açores, março 2009). Para Chrys Christello, presidente da Comissão Executiva dos Colóquios da Lusofonia/Encontros Açorianos da Lusofonia, estes Cadernos «despretensiosos», irão dar a conhecer «excertos de obras de alguns dos autores que os Colóquios mais apreciam. Não serão exaustivos nem completos, limitar-se-ão a abrir uma janela sobre a escrita destes autores que nós, nos Colóquios, entendemos ser diferente da dos restantes autores portugueses».

Os números anteriores dos Cadernos estiveram dedicados a Cristóvão de Aguiar, Daniel de Sá, Dias de Melo, Vasco Pereira da Costa, Álamo de Oliveira, Caetano Valadão Serpa.

Fernando Aires

Fernando Aires nasceu em Ponta Delgada (Açores) a 18 de fevereiro de 1928 e ali faleceu a 9 de novembro 2010. Depois da Escola Primária, frequentou o Liceu Antero de Quental na mesma cidade entre 1940-1947, onde completou o Curso Complementar de Letras Matriculado na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, licenciou-se em Ciências Histórico- Filosóficas.

Professor efetivo no Liceu Antero de Quental, cumulativamente orientou estágios pedagógicos durante vários anos e lecionou a cadeira de Psicopedagogia na Escola do Magistério Primário de Ponta Delgada. Com a fundação da Universidade dos Açores em 1974, ingressou nesta instituição Aposentou-se na situação de assistente-convidado da Universidade dos Açores, cargo que exerceu de 1975 a 1994.

Pertenceu ao grupo que, nos anos 40, fundou o Círculo Cultural Antero de Quental, destinado a introduzir o Modernismo nos Açores, com Eduíno de Jesus, Soares de Albergaria, Eduardo Vasconcelos Moniz, Carlos Wallenstein e outros. Colaborador assíduo da imprensa local e regional, bem como de revistas conhecidas regionalmente. Aires revela-se um escritor com um estilo firme e excecional, com uma escrita elegante que nos cativa e fascina. Este conjunto de caraterísticas viria a desenvolver-se num género literário onde predomina o memorialismo, que é caraterizado por abarcar relatos autobiográficos, que se manifestam na vertente diarística que o autor inaugura na produção literária açoriana.

Machado Fraião

Por sua parte, Mário Machado Fraião era um açoriano nascido na cidade da Horta, ilha do Faial, em 1952 (falecido a 8 de novembro de 2010 em Lisboa), mas residente no território continental faz muitos anos. A distância do arquipélago e as vicissitudes da sua vida não limitaram o afeto que transportava pela terra natal, aonde regressava, por vezes, durante o verão. Nos últimos anos tinha escrito crónicas e recensões de livros destinados aos jornais dos Açores, dirigidos principalmente ao suplemento de artes e letras do Diário Insular. Quanto à poesia, destacam Enquanto o Mar se Renova, Poemas do Mar Atlântico e Os Barcos Levam Nomes de Mulheres.

Encontra-se representado em várias antologias de poesia açoriana, designadamente em Nove Rumores do Mar, organizada por Eduardo Bettencourt Pinto, publicada pelo Instituto Camões, e On a Leaf of Blue, dirigida por Diniz Borges, edição bilingue da Universidade da Califórnia. Mestre em História Regional e Local pela Universidade de Lisboa, exerceu a sua atividade profissional numa escola do Ensino Secundário.