Madeira de Mulher

Um livro que mostra o pacto inconsciente que as mulheres têm com o ambiente, em particular com as árvores através das imagens das mulheres-árvore

Quarta, 30 Março 2011 00:00

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PGL - Edições do Castro lança Madeira de Mulher, uma coletânea de relatos da autoria de Adela Figueroa iluminados dos desenhos arvorescentes de Mª Celsa Sáchez. A Galeria Sargadelos de Lugo acolherá nesta quinta-feira, 31 de março, a apresentação pública a partir de 20h00.

Este livro de contos, breves uns, outros não tanto, recolhe o resultado de muitas meditações, conversas experiências e historias referidas ao longo duma vida que já não é curta, mas que tem chegado a maturidade. O percurso vital das autoras ocorre na franja de tempo que tem visto maiores mudanças na sociedade galega. Tanto pelo que diz a respeito dos costumes, do ambiente, quanto às relações homem-mulher.

As conversas entre as autores do livro têm servido para contrastar experiências vivenciais que acabaram desenhando pinturas ou relatos. As histórias que som contadas em Madeira de Mulher fazem parte de muitas. São nacos de vidas que realmente aconteceram, alinhavadas pela escritora e desenhadas pela pintora. Perguntas como porque há maltratadores? Ou, ainda, porque há pessoas que assumem o rol de maltratadas? são algumas das questões que planejam entre as folhas desta obra.

O livro estrutura-se em diferentes partes:

Madeira de Mulher: com relatos tirados das vidas de mulheres e homens que passaram pelo nosso horizonte ou perto dele.

As Luparias: dois relatos que tentam conduzir ao leitor/a para a relação mágica entre lobas e mulheres através dum exercício onírico.

Salseiro e maruxia: que expressa a intima relação que temos com o mar, nomeadamente nesta Terra da Galiza.

Testemunhas: recolhem uma pequena coletânea de lenços de mulheres em seu papel de acompanhantes de homens ilustres ou, como no caso de Carme a da Ponte, a querida lembrança daquelas empregadas em casas de família que davam o tempo inteiro ao agarimo às crianças e transmitiam a sua inestimável cultura popular através da oralidade, que se transformava em sabedoria, sem terem recebido o justo reconhecimento.

Um pequeno relato ( Castanheiro Amoroso) refere ao assassinato de Camilo Diaz Valinho e Sixto Aguirre Guerin deitados nas bermas baixas duma estrada em Palas de Rei em 1936, deixando a árvore o seu protagonismo.

No fim da obra uma homenagem às nossas mães no continho “O Albornoz” como mostra da repressão que foi instaurada após o trunfo do fascismo em Espanha, relatada sob a amável imagem de lazer, dumas moças a tomar banho nas praias da Corunha.

Com este trabalho é intenção mostrar o pacto inconsciente que as mulheres têm com o ambiente, em particular com as árvores através das imagens das mulheres-árvore tão expressivamente desenhadas pela pintora Celsa Sánchez Vázquez.

É um livro rebelde, de inconformismo perante as injustiças que compõem o dia-a-dia de mulheres e também de homens apanhados nas grades da sociedade, mas, ainda, não impede ver a beleza que existe por toda a parte na vida.