Carlos Quiroga, autor convidado para comemorar aniversário do Jornal de Letras

Nom é a primeira vez que no JL se prova a sensibilidade em considerar a Galiza no «vasto espaço do idioma comum»

Sexta, 30 Março 2012 08:06

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PGL - O galego Carlos Quiroga foi um dos autores convidados para participar num número comemorativo do 32º aniversário do Jornal de Letras, publicaçom lusófona distribuída por todo o mundo. Devido à língua portuguesa ser umha das principais razões de ser da publicaçom, esta decidiu assinalar a efeméride com 32 declarações de amor ao português. «Foi isso que pedimos a criadores de todo o vasto espaço do idioma comum», indicam do JL.

Assim, o número 1082, acabado de sair, recolhe entre as páginas 8 e 15 os depoimentos na linha solicitada de Mário Cláudio, José Eduardo Agualusa, João Ubaldo Ribeiro, Eduardo Lourenço, Alberto da Costa e Silva, Inês Pedrosa, Fernando Pinto do Amaral, Pepetela, Rui Reininho, Carlos Tê, Ana Paula Tavares, Lídia Jorge, Nuno Júdice, João de Melo, Rui Zink, Mário de Carvalho, Luís Cardoso, Helder Macedo, Manuel Alegre, Hélia Correia, Nélida Piñon, Germano Almeida, Ondjaki, Tiago Torres da Silva, José Carlos de Vasconcelos, Juva Batella, Júlio Pomar, Onésimo Teotónio de Almeida, Luis Filipe Castro Mendes, Sérgio Godinho e o já referido Carlos Quiroga.

Texto do Carlos Quiroga na versom impresa da publicaçom
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Das Áfricas ao Brasil, de Timor a Portugal, nom é a primeira vez que no JL se prova a sensibilidade em considerar no "vasto espaço do idioma comum" a mátria galega. Eis a seguir o texto que nos representa:

Eu canto caetanamente o gosto de te sentir na boca a roçar a língua de Luís de Camões. E muita Galiza comigo canta porque ainda gosta de ser e de estar. É a Galiza que tem querido se dedicar a criar confusões de grafias e uma profusão de paródias que encurtem dores e furtem cores como camaleões. Confusões para os espanholistas. Paródias das tretas deles. As dores, essas, são do estares sufocada, a esconderem-te do orgulho de seres grande. As cores, novas, são da diversidade do andares mundo com o nome de Portuguesa ainda que nesta esquina nascesses e cá ainda estejas. Pois cantamos nós com os lábios grossos da ancestralidade de todas as mães que te pariram. Pois se uma Língua guarda a alma de um Povo ao saborear-te nós revigoramos o alento da grei. Deixa portanto os portugais chamarem de sua, tanto se nos dá Lusofonia como Galeguia, o que temos a perder contigo é alma. Sim, a pátria é a nossa língua e nós não temos pátria, temos mátria e queremos frátria. Essa dos que também aqui te cantam de amor em cartas de sentimentos esdrúxulos. Repara que esquivar seria vocábulo agudo, e até grave, mas sermos chamados só um júbilo porque te amamos narcisos –e ainda que só a nós e para nós caiba suster-te esdrúxula na Galiza, é de aconchego notar família. Por isso que bom este convite. Por isso, Língua, como se fosses a gente que és, volta os olhos de letra e admira-te desta nossa intensidade de amor: tem o sorriso louco das mães do Helder, colado à boca que te roça em Camões.

Carlos Quiroga

 

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