O criador do método educativo preventivo, no filme "Dom Bosco"

Quarta, 18 Janeiro 2012 00:00

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José Paz Rodrigues (*) - A data do 31 de janeiro está dedicada a um dos mais extraordinários educadores da história da pedagogia. Vai fazer 123 anos que falecia em Turim João Bosco, mais conhecido como Dom Bosco. Que tinha nascido a 16 de agosto de 1815 no Piemonte italiano, de uma família humilde de labregos, ficando órfão de pai aos dous anos de idade.

Com este meu artigo quero render uma homenagem a este grande pedagogo, fundador dos Salesianos, que em Ourense cumpriram no passado ano os cem anos de vida. O seu método educativo preventivo é, ainda hoje, uma das inovações pedagógico-didáticas mais interessantes no campo das Ciências da Educação. Para apoiar a ideia da sua profunda valia como pedagogo bastaria com resenhar que Dom Bosco preferia ser mestre de alunos problemáticos, tanto pola sua conduta, como pola sua inadaptação social, ou por pertencerem a famílias desestruturadas ou com problemas económicos. Por isto, merecidamente, está considerado como “Mestre e Pai da Juventude”. Ninguém como ele compreendeu tão bem os jovens. Por sorte, sob a direção do italiano Gasparini, em 2004, rodou-se um interessante filme centrado na grande figura deste educador modelar.

 

Ficha Técnica do Filme:

Título original: Don Bosco (Dom Bosco)

Diretor: Ludovico Gasparini (Itália, 2004, 200 min., a cores)

Produtora: RAI e Salesianos de Dom Bosco.

Música: Marco Frisina. Fotografia: Giovanni Galasso.

Intérpretes: Flavio Insinna (Dom Bosco), Lina Sastri (Margarida Bosco), Arnaldo Ninchi (Papa Pio IX), Charles Dance (Clementi), Daniel Tschirley (Dom Rua), Brock Everitt Elwick (Dom Bosco, adolescente), Lewis Crutch (Domingo Savio), Fabrizio Buzzi (o rapaz Bruno), Andrea Bosca (o rapaz Enrico) e outros.

Argumento: Vida e obra de Dom Bosco desde o seu nascimento até o seu falecimento. No filme contam-se os aspetos mais importantes da sua biografia, fazendo finca-pé na sua aventura vital e espiritual e o seu labor educativo exemplar com crianças problemáticas.

 

Pensamento e obra pedagógica de Dom Bosco:

Não podemos ignorar, mesmo os que defendem com veemência um ensino laico, a grande contribuição que João Bosco, um sacerdote católico, deu para com a educação do seu tempo e até mesmo de hoje. Vale lembrar, por exemplo, que ele acolhia todos os tipos de jovens inclusive delinquentes (e isto quando ainda nem se falava de inclusão escolar) e estava em contra de castigos corporais, tão comuns na mentalidade da época.

Dom Bosco pôs em prática nas suas aulas e escolas infinidade de estratégias didáticas positivas. Entre as que destaca o seu método denominado preventivo, de tratamento das crianças. No qual se forma o aluno de maneira integral sem reprimi-lo, utilizando a prevenção e não a punição ou castigo. O educador deixa de ser uma simples máquina de informações e passa a ser amigo, prevenindo o aluno, fazendo com que as suas possíveis dificuldades sejam sanadas antes mesmo de acontecerem, e caso aconteçam, há nesse sistema uma liberdade para o aluno contar a verdade, se arrepender e não voltar ao erro.

Por isto defendia Dom Bosco afincadamente o uso do carinho, da bondade, da alegria, da fraternidade, da participação, o diálogo e o espírito crítico e a razão, no relacionamento com os estudantes. O mestre tinha que estar sempre ao lado, mas o aluno não deveria sentir a sua presença. E acreditava acertadamente que o amor sincero, de atos e não de palavras, o amor de sacrifícios é o mais persuasivo. Quando os alunos veem que o mestre é autêntico e que quer ajudá-los e fazer-lhes bem, comovem-se, tornam-se reconhecidos, sentem que são apreciados e então o educador ganha a sua confiança. Também acreditava em que um sistema repressivo pode facilmente impedir uma desordem, mas dificilmente consegue melhorar os alunos faltosos, estes acabam guardando rancor ao educador e vindo futuramente a se vingar e travando e frustrando todo o seu caminho na educação ou até mesmo cometendo crimes futuros.

No sistema preventivo bosquiano o aluno torna-se amigo e vê no educador um benfeitor que corrige, pois quer livrá-lo do mal dos desgostos, castigos e desonra. O educador deve falar com a linguagem do coração, quer no tempo escolar, quer depois dele, exercendo grande influência, avisando o aluno, aconselhando-o e corrigindo-o onde for necessário, mesmo no seu exercício profissional já fora da escola. Nas aulas e escolas de Dom Bosco dava-se grande importância às seguintes atividades: jogos e festas populares, veladas, música e canto, teatro, dramatizações, conta-contos, desportos de todo o tipo, trabalhos manuais, obradoiros, excursões, e às atividades de tempo livre ou de lazer. Assim como à formação profissional.

 

 

Temas para Reflectir e Pesquisar:

- Debater sobre o que quer dizer Dom Bosco com as suas frases: “Cheios de paciência e de caridade, aguardemos o momento oportuno para corrigir os alunos. Não castigue ninguém no próprio instante em que se cometeu a falta”. “O educador entre os alunos procure fazer-se amar se quer fazer-se respeitar”.

- Visitar o centro dos Salesianos de Ourense e informar-se de como levam à pratica a didática bosquiana e as atividades que organizam com os seus alunos. Também se pode convidar os que levam a associação Amencer a darem uma palestra nos centros de ensino, para que informem do seu programa anual de atividades, baseado nos métodos e estratégias didáticas de Dom Bosco.

 

 

(*) Didata e pedagogo tagoreano. Autor, igualmente, da coluna de opinião Dizer e Fazer.