A grande cidade de Daca
Quarta, 30 Março 2011 00:00
Por José Paz Rodrigues
(Didata e Pedagogo Tagoreano)
No ano 2005 conhecim pola primeira vez a imensa cidade de Daca, capital de Bangladesh. A qual visitei de novo em janeiro de 2010 e 2011. Gostei muito desta cidade, porque tem formosos monumentos, jardins, parques, escolas e um porto fluvial muito importante. É uma cidade que nom tem nada que invejar às europeias, pola sua modernidade, as suas lojas, hotéis e restaurantes excelentes, e o ter muita pouca poluiçom. Dado que a frota de automóveis é muito moderna, destacando os novos carros de fabricaçom germânica e japonesa. Ademais, no centro da cidade o trânsito é restrito, e milheiros de rikxas de bicicleta, que circulam a grande velocidade, evitam que existam fumes contaminadores. Rikxas muito lindos, cuja decoraçom é por si mesma verdadeira arte popular. Os que, por um módico preço que há que convir antes com o condutor, é necessário usar para deslocar-se polas ruas desta cidade bengali.
Já é muito mais difícil ir a outros lugares mais lonjanos durante o dia, polo imenso tráfico que devem suportar as suas ruas e estradas. Por vezes leva muito tempo para chegar aos lugares. E, em isto Daca parece-se muito a Deli, capital da Índia. Naturalmente, esta cidade, centro urbano da Bengala Oriental, tem os seus problemas. O primeiro é a sua elevadíssima populaçom, que se agranda com os muitos prédios de grandes alturas que existem. Alguns de mais de vinte andares, em que moram infinidade de bangladeshis, vindos dos diferentes lugares do país. E este problema parece nom parar, pois em numerosos lugares da cidade estám a construir-se mais prédios. O ritmo da construçom é realmente febril, pois os trabalhadores que os construem mesmo o fazem pola noite sem parar, suponho que em diferentes turnos. Esta cidade tem uma grande vida económica, fácil de detetar.
A cidade tem também muita vida cultural, centrada especialmente na poesia e os seus muitos recitais, nas atuações musicais e nas múltiplas representações teatrais. Para isto conta com muito bons auditórios. O primeiro dia da minha chegada este ano, assistim pola tarde a um emocionante ato musical, com cantigas de homenagem ao grande músico baul Lalon. Polas manhãs visitei a Universidade muito moderna e dinâmica, uma das mais importantes da Ásia, irmanada com a de Oxford. Estive na Faculdade de Belas Artes, e foi um prazer ver os estudantes criando as suas obras artísticas nos grandes jardins ao ar livre. Uma tarde visitei o departamento de castelhano e conhecim o professor titular do mesmo, Rafik, e o professor associado valenciano Paco Ramos. Levei grande alegria ao comprovar o interesse que existe por aprender o idioma de Cervantes, com três turmas de alunos a pleno rendimento.
Visitei a Bangla Akademi e comprovei de novo o grande amor que os bengalis têm polo seu idioma materno. O diretor da mesma solicitou-me que lhe procurasse, para a ediçom dum livro, poemas galego-portugueses e castelhanos sobre a língua materna. Na mesma tarde envie-lhe os de Manuel Maria, Celso Emílio e Lacerda. Visitei de novo a Casa sacerdotal dos Xaverianos, que já dirige desde há pouco o padre espanhol Benjamim Gómez, que tem estado várias vezes em Ourense. Estive de novo ali com o padre italiano Garello, grande tagoreano como o seu companheiro Rigón, que leva de missionário nestas terras mais de trinta anos. Uma manhã fui saudar o nosso embaixador Arturo Pérez Martínez, entrevista que foi muito agradável, e sobre que escreverei em breve um artigo.
Uma tarde fui ao parque da cidade, cheio de vida e animaçom, dedicado monograficamente ao idioma materno. Com um monumento que se engalana muito e bem todos os dias 21 de fevereiro de cada ano. Foi levantado como homenagem aos mártires do idioma do ano 1971. Na tarde do último dia tive que ir ao plateau da Desh, televisom importante da capital, para gravar um programa especial dedicado a Tagore, que há ser exibido no próximo dia 7 de maio, quando se cumprem os 150 anos do nascimento de Robindronath. No mesmo cantei em bengali cantares tagoreanos, com grata surpresa para os coordenadores do programa. Sobre a excelente gastronomia que desfrutei em Daca falarei num próximo artigo. No dia 26 de Janeiro, de madrugada, com o meu estudante Toton Kundu, voltei do aeroporto de Daca para o de Kolkata. Viagem em que estivemos, por sorte, acompanhados da grande intérprete de cantigas tagoreanas, professora de música da universidade bengali, Reiana Choudhury. Em cinquenta minutos estávamos de novo na capital da Bengala ocidental indiana.


Opiniom
























