Português da Galiza no FLiP 8

As importantes novidades produzidas pelo reintegracionismo e a multiplicação das suas atividades são um sintoma claro da sua capacidade e maturidade

Sexta, 27 Agosto 2010 06:30

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Ângelo Cristóvão, secretário da AGLP

Ângelo Cristóvão (*) - Desde 1 de agosto está à venda a oitava atualização do reconhecido programa FLiP, da empresa Priberam Informática, com sede em Lisboa. Como novidades destacadas, a nova versão permite o seu uso com o pacote de programas OpenOffice, introduz o Dicionário Priberam e outras variedades nacionais da língua.

Além das tradicionais de Portugal e do Brasil também aparecem as de Angola, Cabo Verde, Galiza, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique, São Tomé e Timor.

Duas observações devem ser feitas num primeiro momento. Por um lado, há um efeito simbólico ao aparecerem, na opção de configuração, as bandeiras desses países entre as “variedades de português”. Por outro, representa uma mudança na forma de perceber a língua. Onde antes eram reconhecidos dous atores principais, agora abre-se a porta, definitivamente, à diversidade, o que não porá em risco a unidade da língua. Estas novas opções inscrevem-se dentro do português europeu, o que obedece à história.

Os leitores atentos sabem que estas mudanças têm muito a ver com a aplicação do Acordo Ortográfico de 1990, em que participou uma Delegação de Observadores da Galiza. Com efeito, é o contexto em que se está a criar esta nova forma descentralizada de conceber o português. Poderia dizer-se também que a Priberam não quer ficar à margem da evolução da língua. O FLiP 8, ao integrar novas variedades, aproxima-se dos mercados destes países, entre os quais uma potência africana emergente como Angola. Por outro lado, a simbiose do FLiP com o pacote Office da Microsoft facilita também o reconhecimento e divulgação dessas variedades da língua comum.

Captura de ecrã do FLiP 8, com a variedade galega no menu de opções

A inclusão de léxico da Galiza no FLiP 8 responde ao trabalho da Comissão de Lexicologia e Lexicografia da Academia Galega da Língua Portuguesa, entidade criada em 20 de setembro de 2008, e cujo Léxico da Galiza, com mais de 1200 entradas, está a ser integrado em vocabulários e dicionários de uso geral. O Protocolo de Cooperação assinado com a Priberam implica que mais conteúdos diferenciais do português galego serão acrescentados à língua comum através dos produtos desta empresa.

O reconhecimento da Academia das Ciências de Lisboa e a Academia Brasileira de Letras, a participação em eventos internacionais, assim como as relações estabelecidas nos últimos 12 meses com mais de 20 instituições de todo o espaço lusófono, são o principal aval à atuação da AGLP, que vai ocupar o lugar de destaque que lhe corresponde na elaboração da norma galega do português, e na representação do nosso pais no âmbito académico internacional.

As importantes novidades produzidas pelo reintegracionismo linguístico nos últimos anos, e a multiplicação das suas atividades em todos os âmbitos da sociedade galega, são um sintoma claro da sua capacidade e maturidade, demonstrando a cada passo estar em condições de adquirir um maior protagonismo, nomeadamente no desenho das políticas linguísticas. Neste sentido, a colaboração entre a Academia e as associações culturais, desde o respetivo âmbito de atuação institucional e de responsabilidade social, deve continuar a ser um facto quotidiano, vistos os resultados positivos de que já todos temos conhecimento.

 


 

(*) Secretário da Academia Galega da Língua Portuguesa

 

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