Normalizaçom lingüística, será questom de dinheiro?

Os subsídios à normalizaçom usados para estancar o status do galego

Sábado, 17 Janeiro 2009 00:00

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Marisol López no lançamento da campanha 'En galego, tes todo por dicir'

Eduardo Maragoto - À vista das despesas realizadas por diferentes departamentos da Administraçom na promoçom do galego, poderia tirar-se umha conclusom: poucos países do mundo, mui ricos, se podem permitir o luxo de planificar a normalizaçom das suas línguas.

Se, ainda por cima, os resultados som tam pobres como na Galiza, onde o abandono da transmissom geracional parece nom entender de 'orçamentos', nom deveria ser difícil admitir que a financiaçom da política lingüística exige umha revisom.

Obviando o gasto de conselharias, academias, centros de investigaçom e conselhos consultivos, só o gasto em subvençons realizado num ano pola Secretaria Geral de Política Lingüística (SGPL) pode definir-se como assustador: será que a intençom é convencer-nos de que, sendo tam caro e ineficaz, o trabalho normalizador nom vale a pena?

Ninguém pensa que a planificaçom lingüística seja umha área que se poda gerir gratuitamente. As dúvidas começam quando se verifica que o gasto realizado nom está a significar um aumento do uso do galego em nengum dos ámbitos subvencionados. No movimento normalizador actual, a importáncia do subsídio é tal que poucos grupos se atrevem a viver à margem da mesma.

Ora bem, estes som precisamente os que parecem mais motivados, nom tendo o aspecto de estarem a atravessar umha crise. Nas cidades, as ruas estám cheias de cartazes de centros sociais com os quais nom conseguem competir aqueles que anunciam iniciativas em que a Administraçom e as Caixas aparecem como entidades colaboradoras. Mas os grupos nom subvencionados partem de umha premissa que a Administraçom se resiste a financiar: o galego nom é umha língua minoritária de vocaçom doméstica.

Onde vai parar o dinheiro?

Os subsídios destinados à normalizaçom partem maioritariamente da Conselharia da Presidência, sobretodo da SGPL, e tenhem três destinos preferentes: as cámaras municipais, as publicaçons periódicas e os centros de ensino. As primeiras recebêrom, no ano 2007, oitocentos mil euros, a maior parte para “manterem o serviço municipal de normalizaçom lingüística”.

Porém, a maioria nem sequer conta com um plano de normalizaçom, com o qual é fácil deduzir que o que as cámaras contratam para poderem receber o subsídio é um corrector ou correctora de textos, isto é, um administrativo ou administrativa mais, e nom umha pessoa encarregada de planificar os usos do galego.

Em relaçom às subvençons a jornais, das quais o Novas da Galiza fica excluído, a Secretaria Geral de Comunicaçom (SGC) destinou, para o ano 2009, a quantia inicial de 111.089 euros, mas este montante costuma ser revisto ao longo do ano, podendo superar os 600.000 euros com facilidade. Quanto ao ensino, as Equipas de Normalizaçom e Dinamizaçom Lingüística (ENDL) recebêrom, para o ano lectivo 2008-2009, um total de 986.502 euros.

A normalizaçom paga as castanhas

Antes de acabar o mês de Maio, as direcçons das escolas galegas costumam pressionar as ENDL dos seus centros para entregarem os projectos a tempo e nom perderem assim o dinheiro que fornece a SGPL. As pressas e a falta de critério acarretam que muitos deles se convertam em meros esquemas de dinamizaçom cultural dos centros, e surgem vozes que se perguntam que terá que ver a leitura de poemas e a organizaçom de magustos com a normalizaçom.

Naqueles casos em que as ENDL acertam a distinguir a promoçom cultural da lingüística, centrando-se na segunda, as actividades propostas som, habitualmente, inquéritos atitudinais em relaçom ao galego (cujos resultados sabemos de memória) e campanhas para promover umha imagem da língua que nom seria preciso fomentar, porque há tempo que se tornou em discurso politicamente correcto, nom precisando de subvençom nengumha, a nom ser que a política lingüística consista precisamente em estancar a imagem do galego tal e como está.

Em poucos casos, as Equipas experimentam outra via, a da troca cultural com os países lusófonos, para divulgar a ideia de que o galego nom é minoritário, mas a continuidade no tempo destas actividades é efémera. Precisamente esta, umha das poucas linhas de intervençom encaminhada a alterar o status do galego, é a que mais custa digerir à Administraçom, e alguns projectos esclarecem que a única normativa que vam promover vai ser a “vigente”. Nom vaia ser que nom haja subvençom.

O convénio que convém

Para além das subvençons, um dos meios de financiamento de amigos do poder mais protestados som os convénios, à conta da normalizaçom lingüítica. O montante de cada convénio sabe-se desde há pouco tempo, porque antes nem sequer eram publicados. Entre o 3º quadrimestre de 2007 e o 2º de 2008, a Junta distribuiu a quantia de 4.483.272 euros entre diferentes entidades, com o suposto objectivo de “fomentar o uso do galego”. Com esta frase tam genérica, El País, por exemplo, recebeu 31,42% do total dos convénios assinados no terceiro trimestre de 2007, quando poucos meses antes tinha lançado a sua ediçom 'Galicia', em que mesmo os redactores que tinham o galego como língua habitual se vírom obrigados a mudar de língua.

Já no 1º trimestre de 2008, a Fundación Rosalía de Castro, cujo objectivo é divulgar a obra desta autora, está entre as entidades mais favorecidas, ficando com mais de 10% dos 1.228.520 euros totais concedidos. A Confederación de Empresarios de Galicia (CEG) recebeu ainda mais, 11,4%. Polos vistos, para a SGPL, a divulgaçom literária ou o facto de que a página web do CEG disponibilize um serviço de correcçom lingüística, oferecido já por numerosas entidades sem ánimo de lucro, merece mais apoio económico que Ponte nas Ondas, umha iniciativa transfronteiriça que acedeu a pouco mais de 1% do orçamento. Mas o mais surpreendente ainda estava por chegar no 2º quadrimestre de 2008, em que a imprensa escrita em espanhol conseguiu meter nos seus cofres mais de 20% dos 2.936.439 euros atribuídos a este trimestre.


 Convénios (SGPL)

 Totais

 - 3º Quadrimestre de 2007

 318.313 euros

 - 1º Quadrimestre de 2008

 1.228.520 euros

 - 2º Quadrimestre de 2008

 2.936.439 euros

 Subvençom meios 2009 (SGC)

 (quantia mínima) 111.089 euros

 Subvençom cámaras 2007 (Presidência)

 799.000 euros

 Subvençom ENDL 2008/2009 (SGPL)

 986.502 euros

 

(*) Entrevista publicada originalmente no n.º 73 do Novas da Galiza.