Um mundo em mudança. G-21 A Galiza no século XXI

O escritor dá hoje uma palestra na Esmorga sobre a Galiza na globalização

Terça, 05 Abril 2011 08:26

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PGL - Hoje, terça-feira, dia 5 de abril, às 20h30, Artur Alonso Novelhe dá uma palestra no local social A Esmorga (Rua Telheira nº 9, Ourense). O título, «Um mundo em mudança. G-21 A Galiza no século XXI».

Da Esmorga convidam o pessoal a participar numa «reflexão sobre o domínio ocidental do Orbe desde que a chegada dos portugueses ao Japão iniciara a globalização comercial que atingiria seu auge na década de 90 do século XX». Uma globalização comercial que está a impulsionar a globalização económica «e que terá de completar-se com a globalização cultural, política e linguística», período futuro para o qual já estamos a caminhar.

Alonso Novelhe analisará historicamente o início e expansão do domínio dos EUA, único império na história «capaz de conceber a ideia de domínio total: económico, financeiro, comercial, científico-técnico e político». Também refletirá acerca das tendências a seguir e do papel da Galiza no novo cenário.

O palestrante é descendente de galegos no México. Continuando a conversa que mantivemos como ele, foi perguntado pelo PGL acerca de como seria a emigração galega se se tivesse produzido agora. Em sua opinião, esse cenário teria dado como consequência outros lugares de destino e, talvez, outros resultados.

Uma outra visão teria dado seguro, e dará, espero, outros lugares de destino. Sendo outro o destino, outras seriam as repercussões, como é lógico... Mas difícil adivinhar se no sentido querido, para isso teríamos que ter consolidado o quadro lusófono dentro da Galiza. Mas a emigração ainda se está a dar a dia de hoje... A diferença é que esta emigração, até há uns anos, realizava-se dentro do Estado Espanhol. A partir de agora fará-se seguramente à Europa central ou outros continentes. O grande problema ainda por cima é que agora essa emigração implica a perda de capital humano altamente qualificado.

Artur Alonso Novelhe tem opinião para todas as grandes questões do momento. Por exemplo, pola grave crise dos «mal chamados PIGS», que também afeta à Galiza como parte do Estado Espanhol.

O que sim é importante é dentro desta tendência dos mal chamados PIGS [Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha pelas iniciais em inglês, acrónimo que literalmente significa "porcos"], por não poderem manter estes estados e de maneira sustentável o ratio entre dívida soberana e PIB por causa das ajudas despejadas na recapitalização do sistema bancário, e trás a imposição de políticas de extrema austeridade que conduzem a hipotecar o futuro das novas gerações. Neste quadro de fracasso, seria importante criar uma nova tendência face a uma nova imigração que possa servir de ponte também para a Galiza ser visualizada, ou para criar parcerias e abrir espaços de conexão entre o mundo lusófono, anglófono e a Galiza...

Só assim teremos uma oportunidade de sobreviver a este duro embate, a esta encruzilhada em que nos encontramos de falência do antigo sistema de organização e dominação e nascimento embrionário dum novo sistema ainda por definir.

Qual a vantagem competitiva da Galiza neste mundo mais globalizado? Em opinião de Alonso Novelhe, os polos lusófono e anglófono... pela via celta.

Como diz o Prof. Higino Martins Esteves, estamos a descobrir as maravilhas que resguarda nossa terra, e que levam séculos diante dos nossos olhos —quando ele fala do património celta que se conserva na Galiza—. O problema de não podermos ver a evidência deve-se a anos de malformação das nossas mentes, ao nos ensinarem a ver com os olhos do forasteiro, a negar-nos a verdade histórica, ao nos fazerem acreditar que a nossa língua, a nossa cultura e a nossa historia se resumiam a uma língua, cultura e historia dum povo rural, inferior [...].

Desde o Padre Sarmiento e Feijó, até os nossos dias, muitas foram as notáveis figuras galegas que ajudaram a abrir pouco a pouco os olhos dos galegos e galegas. Com a suas achegas tem-se contribuído a tirar do nosso sangue os entorpecentes que nos foram administrados por aqueles que vivem de negar a evidência. [...] Hoje negar a celticidade, depois das novas descobertas cientificas, é um exercício de cinismo que se torna quase um impossível. Negar a unidade linguística galego-portuguesa, vai ser em pouco tempo também outro exercício impossível [...].

Daí é que surgem, para Alonso Novelhe, as vantagens da integração global: Galiza pode jogar um papel fundamental de ponte cultural entre o mundo Lusófono e Anglófono, «dado ser o berço de ambas civilizações»:

Se repararmos agora no mapa das prioridades a nível global, estamos a observar como os EUA estão tentando com todas as suas forças impedir ou paralisar momentaneamente o desloque hegemónico desde o Atlântico Norte ao Pacífico. Uma das peças chaves para impedir este desloque é remover o mundo islâmico de maneira a assegurarem-se os 60% das reservas de petróleo do planeta. Outro é a criação de um novo polo hegemónico que possa abranger todo o Atlântico. Por isso a viagem de Obama a Brasil, e daí a boa sintonia [...] entre Dilma Rousseff e o mandatário norte-americano.

Brasil é hoje o centro neurálgico do Cone Sul-americano. Além disso é a sétima potência económica, e sexta potência política após EUA, China, Rússia, França e Alemanha. Neste novo mapa de alianças, Galiza deve olhar-se em perspetiva integradora, na procura de realizar dentro das suas possibilidades, uma rede interior e exterior, de caráter cultural, o mais extensa possível que possibilite uma relação fluida com o mundo luso e anglo.

Em termos práticos a AGLP e o IGEC (Instituto Galego de Estudos Celtas) já estão a realizar a conexão académica. Mas a conexão tem de abranger toda a sociedade [...]. Isto é assim porque no mundo hispano o galego e Galiza, não existem nem se podem visualizar a nível linguístico ou cultural sem passar pela peneira do castelhano, tal como diz a experiência. [...]

Finalmente, defende a luta por um mundo mais justo, mas igualmente estamos, em sua opinião, «abocados a criar redes atlânticas».

Toda a sociedade tem de dar essa viragem [realizar a conexão atlântica]. Podemos estar em contra da política imperial americana, podemos desde uma posição anti-imperialista traçar alianças e redes no mundo lusófono e anglófono, mas o que nunca poderemos fazer é realizar um trabalho que favorece uma hegemonia mundial Chinesa ou Russa, ou mesmo centro europeia. Isso seria um suicídio... Seria perpetuar a periferia e agora a nível global desta nação atlântica.

Temos de ter em conta, que como tudo no universo (isso forma parte da lei universal) esta vibrando: os distintos confrontos estão vibrando, uns entrelaçando-se com os outros: confronto e lutas de género, ecológicas, pelos recursos, económicas.
Mas quando o que esta por cima é o confronto hegemónico, não podemos ser tão inocentes de olhar para outro lado e não tomar partido, dizendo: “isso nada tem a ver com o meu interesse”... “Que se matem”...
Neste processo imparável de globalização agora estamos na fase de regionalização e disputa pela hegemonia global, não o esqueçamos...  Isto não quer dizer que não possamos lutar por um mundo mais justo, mais humano, espiritual, ecológico, mais sustentável... Mais isso não retira que agora nos vejamos abocados a criar redes atlânticas.

 

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