Os senhores do Anel – parte II

Mundo Neofeudal

Segunda, 10 Março 2014 00:00

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Por Artur Alonso

Segundo a Infopédia, define-se a formação do Mundo Feudal como: “O período que compreende os séculos X e XI é geralmente considerado como o período feudal. Um pouco por toda a Europa instala-se um novo sistema de organização política, territorial e social.

Numa primeira fase, acompanhando o processo de desagregação do Império Carolíngio, o desaparecimento de um poder régio forte e de uma administração centralizada, vão-se formando principados, reinos independentes do poder central, pelas mãos da aristocracia e de funcionários anteriormente bem colocados na corte carolíngia. Muitos antigos condes e missi dominici, que percorriam o Império em nome do rei, passam agora a ser senhores dos seus próprios domínios. No interior do território da Germânia - na Suábia, na Saxónia, na Lorena, na Baviera, na Francónia - surgem principados, reinos mais pequenos, quase independentes do rei. O mesmo se passa no território de França - na Borgonha, na Aquitânia, na Gasconha, na Normandia, na Flandres - bem como no território italiano - em Friúli, em Ivrea, na Toscânia.

Numa segunda fase, poucos destes principados irão sobreviver à proliferação de novos domínios - os feudos - que serão tanto laicos (da nobreza) como eclesiásticos (da Igreja). Cada um destes novos senhores são reis dentro do seu feudo, criando laços de fidelidade com os seus vassalos e formando quase uma corte nos seus castelos, onde procuram adquirir privilégios até aqui reservados ao monarca.”

Na nova arquitetura ainda serão mantidos por um tempo os Estados-Nação, ainda que a função de centralidade – como já estamos observando vai devagar passando (em todas as áreas de poder: económico, jurídico, legislativo, militar...) a mãos duma elite burocrática – proveniente da partidocracia aliada com senhores neofeudais (surgidos dentro da velha Ordem Mercantil), que já de facto são os encarregados de levar à frente as políticas globais ditadas pelos interesses do poder corporativo.

Neste novo quadro político centralizado – as lutas intracorporativas e os interesses encontrados das mesmas – resolvem-se nos parlamentos e órgãos de poder central onde os funcionários designados pelo poder da partidocracia representam, assumem como próprios e portanto defendem os interesses dos seus respetivos senhores.

O Estado-Nação ainda é preciso para, entre outras cousas, travar, reprimir e controlar dentro da sua envolvente (seu anel imaginário de poder) os protestos, greves e lutas sociais, que por lógica estão a surgir e continuarão surgindo como consequência da deflação – fim da onda de expansão creditícia – e as obrigadas políticas refratárias que são implementadas por ordem da Nova Ordem Neofeudal.

Essas políticas são avalizadas pelos organismos regionais e internacionais, controlados pela mesma ordem, dando-lhe assim a legitimidade necessária para sua posta em prática. A seguir a mídia de referência ecoa a implementação das mesmas como única solução para superação da crise.

No processo os senhores saqueiam legalmente, para depois acumular a riqueza e património que estavam em mãos públicas ou privadas, tanto da classe inferior – trabalhadora, classes médias ou bem pequenos e médios empresários (que não souberam ou não puderam evitar as devidas falências).

Dentro do quadro constitutivo da reforma neofeudal, serão permitidas diferentes visões de implementação do processo de reforma, que sem dúvida cada grupo de partidos (organização regional, em cujo seio se acolhem diferentes partidos nacionais da mesma tendência) tentará, na luta eleitoral e parlamentar, levar à frente; mas em nenhum caso em confronto com os interesses dos senhores – que por meio do mecanismo da dívida – financiamento, controlam por sua vez os pequenos anéis de poder partidário e o grande anel da estrutura da partidocracia.

Com este duplo jogo: controlo do financiamento partidário – controlo do sistema e mecanismos sistémicos necessários para obter sucesso partidário (estrutura, propaganda, património...); as únicas vias de acesso à governança estão gravitando sob o anel de poder real, criado e controlado pela Nova Ordem Neofeudal.

As estruturas alternativas, nascem com tal precariedade – que só podem encontrar eco e possibilidades de expansão – em épocas de contração severa e crise muito profunda, criando seu próprio anel de influência (ainda assim nunca estão livres de em algum período começar a gravitar sobre o grande anel do financiamento, o qual, devagar e indiretamente, já atrela dita alternativa ao poder da Nova Ordem)

Os Estados também cumprem um papel idóneo para evitar que alternativas momentâneas fora da orbita neofeudal, possam agromar e dar à luz uma semente com suficiente força para criar raízes e árvores com ramos poderosos. Evitam ao mesmo tempo os Estados, na sua função de primeira muralha de envolvente – primeiro anel imaginário de poder – que qualquer vírus alternativo incubado no seu seio possa abrolhar e contagiar o resto do Continente ou da Estrutura política regional, em que o Estado está inserido. Daí o seu mantimento, apesar de ser custoso e anacrónico, mesmo no nível atual.

Outra resposta para o mantimento do estado – deve-se à necessidade de mudança gradual, que evite na prática resistências, sacudidas e terremotos inerentes a toda implosão ou implementação rápida. A passagem gradual e lentidão relativa dos processos, permitem um melhor controlo dos mesmos e um melhor manejo das contradições no seio dos mesmos, evitando involução ou evolução não desejada, para os desenhadores autores e atores da mudança.

Aproveitando a falta de memória coletiva, ligados ao mito da sobrevivência e relegados à experiência de tentar salvar-se a si mesmos, os povos e as pessoas que os compõem, lutarão entre eles, para assegurar-se a proteção, que nos períodos feudais só pode ser obtida, através do senhor ou senhores locais, que controlam o primeiro e pequeno anel de poder ilusório.

As velhas tentativas de organização popular, pouco a pouco como estamos vendo, ficarão derrotadas facilmente; criando na memória coletiva frustração e desespero, aumentado mais a necessidade sobrevivência e persecução do devido senhor protetor.

Por meio da partidocracia legal e as redes que esta sustenta, muitas pessoas procurarão assegurar-se, real ou ficticiamente, as necessidades primárias.

O controlo da oferta de trabalho, por meio dos senhores locais, oferece à Nova Ordem um mecanismo muito eficaz, encaixado dentro da aliança partidos políticos – corporações que os financiam; que possibilitam esse engajamento populacional às novas estruturas de poder.

Finalmente e graças ao controlo do grande anel da dívida – finança, as populações (desorganizadas e realojadas sob o guarda-chuva inferior dos anéis de poder local) serão – estão sendo já – as encarregues de pagar os custos que tais operações de mudança, contração, destruição e construção – estão trazendo e vão trazer em contínuos períodos...

Senhores

Ultrapassadas épocas de reestruturação da arquitetura social, a nova sociedade por osmose tenderá a prescindir dos antigos estados-nação... dado as suas estruturas ficarem abolidas, pela passagem a novas formas de regulação, controlo e administração das novas sociedades.

A arquitetura administrativa surgida deste novo alumbramento, vai trazer consigo o aparecimento natural da figura do senhor, legitimada pelas novas formas de governança e sacralizada na posse do território, pelo poder aliado religioso e político de cada localidade e região específica.

Eliminada a intermediária classe média, filha do anterior Estado-providência – antecessor do Estado neoliberal (que possibilitou a cascata privatizadora) tao só duas classes sociais emergirão, por fluência e confluência neste novo quadro de administração e gestão dos novos territórios: senhores e servos.

Senhores, definição do dicionário Priberam, em três diferentes aceções: a) dono da casa em relação aos criados b) O que possuía honras ou coutos; fidalgo; o que possuía vassalos; o que tinha autoridade feudal c) Amo.

 

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