Marcha fúnebre

Quinta, 10 Abril 2014 10:15

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Por Ernesto V. Souza

Burgos, azul entre as lançais torres da Catedral, ponte de São Paulo, ao fundo a estátua equestre do Cid. A reunião é ainda em meia hora. Chego com tempo sobrado para estacionar amodo e tomar café.

Fundação do Diego Rodríguez “Porcelos” senhor de Pancorbo, passagem estratégica de Castela ao mar Cântabro e a França pelas terras Bascas e o Ebro.  Limite e fronteira dos Reinos dos velhos Reis da Galiza. Tranquila, ensemismada nos tempos dantes mais que nos de hoje, ausentes as gentes nas suas cousas e passagem de pontes sobre o Arlanzón e Vena, praças e largos, ruas de comércio e vinhos, como corresponde a uma pequena urbe castelhana.

Adoro essa estátua escura do Juan Cristóbal González Quesada, impelida para adiante, braço e espada em ponta e pequena de mais para épica, como se fosse de fumaça e o vento arrastasse desde popa em contraste da ação com a capa.

Sempre me impressionou da mixtificação Pidaliana e do imaginário pátrio que nos impingiam, entre outros na escola, aquela cena do Cid morto. Atado no fiel Babieca e ganhando uma última batalha aos pérfidos e parvos Mouros.

Leio para fazer tempo o Diario de Burgos, protótipo de jornal de províncias que bem podia se escrever em pergaminho. Panegíricos, colunas e notícias dos atos fúnebres de Adolfo Suarez. Na TV onipresente contam dele sem paradura e anunciam uma e outra vez que Barajas passará a ser como o Charles de Gaulle de Madrid.

Dou em pensar na múmia de Suarez atado à Carta magna, dacavalo da múmia de Babieca. Sendo passeado para espanto e aviso da canalha infiel e protestante de hoje. Não me resisto a escrever no Twitter, amanhã outro viageiro refletirá talvez sobre uma outra estátua absurda.